Do DOI-CODI à Favela: O Estado Genocida e Sua Nova Máscara

Dada a conjuntura atual, mais do que nunca, é necessário que abramos os olhos e rompamos o véu enganoso da “redemocratização” no território dominado pelo Estado Brasileiro! Eles nos vendem a farsa de que a ditadura militar acabou, mas nós, das ruas e das lutas sociais, sabemos a verdade sangrenta: o monstro apenas trocou de pele. Torturas, prisões, sequestros, assassinatos, delação, censura – os mesmos instrumentos de terror que assombraram o Brasil sob os gorilas fardados continuam a ser a política de Estado contra os pobres, os negros, os indígenas e os militantes. A pergunta que ecoa das favelas aos quilombos é: a ditadura realmente acabou ou apenas mudou de nome?

Eles trocaram os porões do DOI-CODI pelas operações de “Garantia da Lei e da Ordem” nas periferias. A tortura saiu dos quartéis e se instalou nas abordagens policiais, nas violações de autos de resistência, nas humilhações cotidianas do sistema prisional. O sequestro de corpos negros segue uma lógica industrial, seja no extermínio pela polícia, seja no encarceramento em massa que arranca milhares de suas comunidades. O método é o mesmo: o terror como ferramenta de controle social e a aniquilação daqueles que o sistema marca como indesejáveis.

O aparato de perseguição política foi modernizado e recebeu roupagem “legal”. As prisões preventivas, as delações premiadas coagidas e a criminalização dos movimentos sociais são as novas facetas do arbítrio. A Lei de Segurança Nacional, herança maldita da ditadura, é brandida contra quem ousa criticar os poderosos. Eles não precisam mais de AI-5 quando têm um Judiciário conivente e uma mídia mercenária que legitima a perseguição, construindo narrativas que transformam militantes em “terroristas” e protestos em “atos de guerra”.

A censura não morreu; tornou-se digital, algorítmica e estrutural. Ela se disfarça de “política de comunidade” nas redes sociais, de “combate à desinformação” que silencia vozes dissidentes, e da monopolização midiática que mantém o povo intoxicado pela ignorância. A violência do Estado agora é transmitida ao vivo, mas a mesma máquina que a exibe tenta justificá-la como “necessária”. O genocídio negro, o etnocídio indígena e a repressão aos pobres são a prova viva de que o Estado brasileiro mantém sua essência autoritária.

E a farsa eleitoral? Trocar os generais por políticos profissionais não altera a natureza do Estado. Enquanto o poder permanecer nas mãos das elites econômicas, das corporações militares e de um Judiciário de exceção, a democracia seguirá sendo uma piada de mau gosto. O mesmo sistema que financiou a ditadura segue no poder, renovando sua maquiagem a cada pleito para preservar seus privilégios. A “Nova República” não passou de um pacto de elites para manter o povo sob jugo, agora com métodos mais “sofisticados” de repressão.

Portanto, a resposta é clara: a ditadura nunca acabou, apenas se recombinou. Ela agora é civil, militar, jurídica e midiática. Mas nossa resistência também se reinventa. Não depositaremos fé em salvadores da pátria ou nas instituições podres desse Estado genocida. Nossa luta é pelo fim da polícia, dos exércitos, pelo fim do sistema prisional, pelo fim da justiça de classe e por uma verdadeira desagregação desse Estado assassino (e de seu irmão, o Capital). A memória dos torturados e assassinados nos grita: não passarão! Pela liberdade de todos e pelo fim de TODAS as ditaduras, ação direta e luta nas ruas!

Pela anarquia.

Liberto Herrera.

English Translation:

From the DOI-CODI to the Favela: The Genocidal State and Its New Mask

Given the current situation, more than ever, it is necessary that we open our eyes and tear away the deceptive veil of “re-democratization” in the territory dominated by the Brazilian State! They sell us the farce that the military dictatorship ended, but we, from the streets and from social struggles, know the bloody truth: the monster merely changed its skin. Torture, arrests, kidnappings, assassinations, informing, censorship – the same instruments of terror that haunted Brazil under the uniformed gorillas continue to be state policy against the poor, the Black, the Indigenous, and the militants. The question that echoes from the favelas to the quilombos is: did the dictatorship really end, or did it just change its name?

They exchanged the basements of the DOI-CODI for the “Guarantee of Law and Order” operations in the peripheries. Torture left the barracks and installed itself in police stops, in the violations of autos de resistência (resistance records), in the daily humiliations of the prison system. The kidnapping of Black bodies follows an industrial logic, whether in police extermination or in mass incarceration that tears thousands from their communities. The method is the same: terror as a tool of social control and the annihilation of those whom the system marks as undesirable.

The apparatus of political persecution has been modernized and given a “legal” guise. Preventive arrests, coerced plea bargains, and the criminalization of social movements are the new facets of arbitrariness. The National Security Law, a cursed legacy of the dictatorship, is wielded against those who dare to criticize the powerful. They no longer need an AI-5 when they have a complicit Judiciary and a mercenary media that legitimizes the persecution, constructing narratives that turn militants into “terrorists” and protests into “acts of war.”

Censorship did not die; it became digital, algorithmic, and structural. It disguises itself as “community policy” on social networks, as “fighting disinformation” that silences dissenting voices, and as media monopolization that keeps the people intoxicated by ignorance. The violence of the State is now broadcast live, but the same machine that displays it tries to justify it as “necessary.” The Black genocide, the Indigenous ethnocide, and the repression of the poor are living proof that the Brazilian state maintains its authoritarian essence.

And the electoral farce? Swapping generals for professional politicians does not change the nature of the State. As long as power remains in the hands of economic elites, military corporations, and an exceptionalist Judiciary, democracy will remain a bad joke. The same system that financed the dictatorship remains in power, renewing its makeup with each election to preserve its privileges. The “New Republic” was nothing but a pact among elites to keep the people under yoke, now with more “sophisticated” methods of repression.

Therefore, the answer is clear: the dictatorship never ended; it merely recombined. It is now civil, military, judicial, and media-based. But our resistance also reinvents itself. We will not place our faith in saviors of the motherland or in the rotten institutions of this genocidal state. Our struggle is for the end of the police, the armies, the end of the prison system, the end of class-based justice, and for the true disintegration of this murderous State (and its brother, Capital). The memory of the tortured and the murdered shouts to us: they shall not pass! For the freedom of all and for the end of ALL dictatorships, direct action and struggle in the streets!

For anarchy.
Liberto Herrera.


Traducción al Español:

Del DOI-CODI a la Favela: El Estado Genocida y Su Nueva Máscara

Dada la coyuntura actual, más que nunca, es necesario que abramos los ojos y rompamos el velo engañoso de la “redemocratización” en el territorio dominado por el Estado Brasileño. Nos venden la farsa de que la dictadura militar terminó, pero nosotros, desde las calles y las luchas sociales, conocemos la sangrienta verdad: el monstruo sólo cambió de piel. Torturas, arrestos, secuestros, asesinatos, delación, censura – los mismos instrumentos de terror que asolaron Brasil bajo los gorilas uniformados continúan siendo la política de Estado contra los pobres, los negros, los indígenas y los militantes. La pregunta que resuena desde las favelas hasta los quilombos es: ¿realmente acabó la dictadura o simplemente cambió de nombre?

Cambiaron los sótanos del DOI-CODI por las operaciones de “Garantía de la Ley y el Orden” en las periferias. La tortura salió de los cuarteles y se instaló en las detenciones policiales, en las violaciones de los autos de resistencia, en las humillaciones cotidianas del sistema carcelario. El secuestro de cuerpos negros sigue una lógica industrial, ya sea en el exterminio policial, ya sea en el encarcelamiento masivo que arranca a miles de sus comunidades. El método es el mismo: el terror como herramienta de control social y la aniquilación de aquellos que el sistema marca como indeseables.

El aparato de persecución política se ha modernizado y ha recibido un ropaje “legal”. Las detenciones preventivas, las delaciones premiadas coaccionadas y la criminalización de los movimientos sociales son las nuevas facetas del arbitrio. La Ley de Seguridad Nacional, herencia maldita de la dictadura, es blandida contra quien se atreve a criticar a los poderosos. Ya no necesitan un AI-5 cuando tienen un Poder Judicial cómplice y unos medios mercenarios que legitiman la persecución, construyendo narrativas que convierten a militantes en “terroristas” y a protestas en “actos de guerra”.

La censura no murió; se volvió digital, algorítmica y estructural. Se disfraza de “política de comunidad” en las redes sociales, de “combate a la desinformación” que silencia voces disidentes, y del monopolio mediático que mantiene al pueblo intoxicado por la ignorancia. La violencia del Estado ahora se transmite en vivo, pero la misma máquina que la exhibe intenta justificarla como “necesaria”. El genocidio negro, el etnocidio indígena y la represión a los pobres son la prueba viva de que el Estado brasileño mantiene su esencia autoritaria.

¿Y la farsa electoral? Cambiar a los generales por políticos profesionales no altera la naturaleza del Estado. Mientras el poder permanezca en manos de las élites económicas, de las corporaciones militares y de un Poder Judicial de excepción, la democracia seguirá siendo una broma de mal gusto. El mismo sistema que financió la dictadura sigue en el poder, renovando su maquillaje en cada elección para preservar sus privilegios. La “Nueva República” no fue más que un pacto de élites para mantener al pueblo bajo yugo, ahora con métodos más “sofisticados” de represión.

Por lo tanto, la respuesta es clara: la dictadura nunca terminó, sólo se recombinó. Ahora es civil, militar, judicial y mediática. Pero nuestra resistencia también se reinventa. No depositaremos fe en salvadores de la patria ni en las instituciones podridas de este Estado genocida. Nuestra lucha es por el fin de la policía, de los ejércitos, por el fin del sistema carcelario, por el fin de la justicia de clase y por la verdadera desagregación de este Estado asesino (y de su hermano, el Capital). La memoria de los torturados y asesinados nos grita: ¡no pasarán! Por la libertad de todos y por el fin de TODAS las dictaduras, ¡acción directa y lucha en las calles!

Por la anarquía.
Liberto Herrera.

A Cortina de Fumaça das ONGs: O Assistencialismo como Braço do Capital e do Estado

Camaradas, a realidade que nossa militância enfrenta no Espírito Santo é absurda: proliferam-se por nossos territórios organizações não governamentais que, longe de serem espaços de libertação, atuam como agentes de domesticação. São, em sua maioria, extensões camufladas de partidos políticos e igrejas, estruturas que não buscam a transformação radical da sociedade, mas sim a perpetuação de um sistema de dominação. É preciso denunciar com vigor: as ONGs, principalmente estas vinculadas, são parte orgânica do capitalismo e não nos salvarão de suas garras. Pelo contrário, são engrenagens que lubrificam a máquina da opressão.

Observemos as ONGs atreladas a partidos políticos. Sua existência é cíclica e eleitoreira. Surgem como braços “sociais” de legendas que almejam o controle do Estado, oferecendo migalhas assistencialistas em troca de lealdade futura nas urnas. Sua ação não fortalece a autonomia do povo, mas cria uma relação de dependência clientelista. Elas precisam do Estado, seja através de editais públicos, verbas parlamentares ou convênios, recursos esses que são usados para ampliar a base de influência do partido. São, portanto, instrumentos para acessar o poder estatal e, consequentemente, gerir os mecanismos do capital. Lutam por uma fatia do bolo, jamais pela destruição do forno que cozinha a miséria.

Da mesma forma, as ONGs vinculadas a igrejas operam uma colonização mais profunda, misturando caridade com proselitismo. Utilizam a fome e a vulnerabilidade para impor uma moral religiosa e expandir seu rebanho. Sua ajuda é condicional, um embrulho para a doutrinação, que visa pacificar os oprimidos com a promessa de recompensa celestial, anestesiando a revolta terrena necessária. Estas organizações também dependem do Capital, seja através de doações de grandes corporações que buscam lavar sua imagem, seja de recursos públicos obtidos por sua enorme influência política. São o braço “social” do capitalismo teológico, que converte a necessidade material em controle espiritual.

A conjuntura é clara: estas ONGs não existem à margem do sistema. Elas são funcionais a ele. O capitalismo, em sua fase neoliberal, terceiriza para elas o papel de amortecer os impactos mais brutais da exploração, um paliativo que evita a explosão social. O Estado, por sua vez, as financia e regula, cooptando potenciais focos de resistência e transformando demandas por direitos em projetos gerenciáveis. São uma válvula de escape, uma forma de gerenciar a pobreza sem alterar as estruturas que a produzem. Enquanto distribuem cestas básicas, silenciam sobre a propriedade privada dos meios de produção.

Nós, da Federação Anarquista Capixaba, rejeitamos esta cortina de fumaça. Nossa luta não é por mais ONGs, mas por organização popular autônoma, direta e de base. Acreditamos na ação direta, na ajuda mútua desinteressada, na construção de realidades que confrontem o poder, desde baixo, sem mediadores, sem patrões e sem sacerdotes. Construímos comedores comunitários autogeridos, hortas coletivas, grupos de defesa territorial e círculos de estudo sem vínculo com editais ou interesses eleitorais. Nossa solidariedade é de classe, não é esmola nem investimento.

Portanto, desmascaremos essas entidades que, vestidas com o manto da bondade, fortalecem as correntes que nos aprisionam. Não depositemos nossa esperança em salvadores institucionais. Nossa libertação não virá de cima, nem de projetos aprovados no gabinete de um político ou na cúria de uma igreja. Virá da nossa própria capacidade de nos organizarmos, horizontalmente, combatendo o Estado, o Capital e todas as suas faces, inclusive as mais “beneméritas”. A verdadeira transformação social nasce da autonomia, do apoio mútuo e da luta intransigente contra todas as formas de dominação. Fora do povo organizado, não há salvação!

Federação Anarquista Capixaba – FACA

Por um mundo novo: apoie a participação da UAF no congresso anarquista

Olá companheiras e companheiros, amigos e amigas,

Para garantir a participação de um representante da União Anarquista Federalista (UAF) no Congresso 2026 da Internacional de Federações Anarquistas (IFA), produzimos estas camisas para divulgar a causa e arrecadar fundos para a viagem. O valor é de R$ 70,00 por camisa. Abaixo estão algumas estampas disponíveis.

A entrega para fora da Bahia e do Espírito Santo será feita pelos Correios, com frete pago pelo comprador.

Para as regiões Norte, Centro-Oeste e Nordeste, o Núcleo Sereno Anarquista ficará responsável pela comercialização e distribuição. Os pedidos devem ser feitos pelo e-mail aguaslivres@riseup.net.

Em Salvador, você pode retirar sua camisa na Maloca Libertária ou combinar um local de entrega.

No Espírito Santo, as camisas estarão disponíveis em Vitória e Cachoeiro de Itapemirim, também com a possibilidade de combinar ponto de entrega.

A distribuição no Sul e Sudeste será realizada pela Federação, através do e-mail fedca@riseup.net.

Apoie a causa, o trabalho e a luta por um mundo novo!

Está em nossas mãos a conquista da liberdade!

União Anarquista Federalista (UAF) e Federação Anarquista Capixaba (FACA)

Para Além do Estado e do Capital: A Urgência dos Sonhos por Inteiro!

Camaradas, nós, anarquistas, erguemos nossa voz contra a tirania de todos os senhores e contra a mediocridade de todas as revoluções parciais. Rejeitamos com todo o nosso ímpeto a vã promessa dos marxistas, leninistas, estatistas, capitalistas, etc, que nos oferecem meras migalhas de emancipação em troca de nossa submissão a um novo mestre: o Estado. Seja na versão burocrática da “ditadura do proletariado”, seja na falácia reformista do capitalismo regulado, todos eles pregam a mesma heresia: a de que a liberdade pode ser administrada, parcelada e distribuída por um poder central. Nós rasgamos esse contrato de escravidão! Não queremos os sonhos parcelados desses traficantes de ilusões. QUEREMOS SONHOS POR INTEIRO!

Esses “sonhos parcelados” são uma armadilha perversa. Os marxistas-leninistas prometem um futuro comunista, mas seu método é a conquista do aparelho estatal, a criação de uma nova classe de burocratas e a perpetuação da lógica do poder. Eles trocam o patrão privado pelo patrão estatal, a exploração capitalista pela exploração estatal. O seu sonho é um pesadelo autoritário, onde a liberdade individual é esmagada em nome de um coletivo forjado pela coerção. O Estado, em qualquer forma que se apresente, é inimigo da autogestão e da livre associação. É a negação da revolução social, pois substitui a iniciativa direta do povo pelo decreto de uma minoria que se julga iluminada.

Da mesma forma, o capitalismo, em sua fase mais selvagem ou em sua máscara social-democrata, só nos oferece o sonho parcelado do consumidor. Ele nos vende a ilusão de liberdade através da posse de mercadorias, enquanto nos rouba a autonomia real sobre nossas vidas e nosso trabalho. O seu “sonho” é um pesadelo de alienação, onde nos tornamos apêndices da máquina de produção e consumidores de nossa própria miséria. O capital e o Estado são as duas faces da mesma moeda opressora; um não pode existir sem o outro. O Estado garante a propriedade privada dos meios de produção e a hierarquia social, enquanto o capital sustenta o poder econômico que alimenta o aparato estatal.

Portanto, nossa luta não é por um Estado “melhor” ou por um capitalismo “mais justo”. Nossa luta é pela abolição pura e simples de ambos! QUEREMOS SONHOS POR INTEIRO: sonhos de uma sociedade onde a autogestão seja o princípio organizador de baixo para cima; onde as comunidades livres federem-se voluntariamente; onde o trabalho seja uma atividade criativa e não uma condenação; e onde a solidariedade substitua a competição. Queremos a materialização de um mundo novo, onde cada indivíduo seja senhor de seu próprio destino, cooperando livremente com seus iguais, sem a sombra opressora de governos, polícia, exércitos ou patrões.

O caminho para este mundo não passa pelas urnas do Estado ou pela tomada de seu palácio. Passa pela ação direta, pela organização horizontal, pelo apoio mútuo e pela construção aqui e agora, nas entranhas da velha sociedade, dos embriões do mundo novo. É na greve selvagem, na comuna autônoma, no coletivo de produção, na ocupação e em toda forma de resistência que negamos o poder e afirmamos a vida. Não pedimos permissão para ser livres. Tomamos nossa liberdade com nossas próprias mãos. A nós, anarquistas, cabe a tarefa gloriosa de sonhar o impossível para conquistar o real: um mundo sem Estado e sem capital. À ação, pois! Pela revolução social e pela liberdade total

Liberto Herrera.

English Translation:

Beyond the State and Capital: The Urgency of Whole Dreams!

Comrades, we anarchists raise our voices against the tyranny of all masters and against the mediocrity of all partial revolutions. With all our impetus, we reject the vain promise of Marxists, Leninists, statists, capitalists, etc., who offer us mere crumbs of emancipation in exchange for our submission to a new master: the State. Whether in the bureaucratic version of the “dictatorship of the proletariat” or in the reformist fallacy of regulated capitalism, they all preach the same heresy: that freedom can be administered, parceled out, and distributed by a central power. We tear up this contract of slavery! We do not want the partial dreams of these traffickers of illusions. WE WANT WHOLE DREAMS!

These “partial dreams” are a perverse trap. The Marxist-Leninists promise a communist future, but their method is the conquest of the state apparatus, the creation of a new class of bureaucrats, and the perpetuation of the logic of power. They exchange the private boss for the state boss, capitalist exploitation for state exploitation. Their dream is an authoritarian nightmare, where individual freedom is crushed in the name of a collective forged by coercion. The State, in whatever form it presents itself, is the enemy of self-management and free association. It is the negation of social revolution, for it replaces the direct initiative of the people with the decree of a minority that considers itself enlightened.

In the same way, capitalism, in its most savage phase or in its social-democratic mask, only offers us the partial dream of the consumer. It sells us the illusion of freedom through the possession of commodities, while it steals from us real autonomy over our lives and our work. Its “dream” is a nightmare of alienation, where we become appendages of the production machine and consumers of our own misery. Capital and the State are the two sides of the same oppressive coin; one cannot exist without the other. The State guarantees the private property of the means of production and the social hierarchy, while capital sustains the economic power that feeds the state apparatus.

Therefore, our struggle is not for a “better” State or for a “more just” capitalism. Our struggle is for the pure and simple abolition of both! WE WANT WHOLE DREAMS: dreams of a society where self-management is the organizing principle from the bottom up; where free communities federate voluntarily; where work is a creative activity and not a condemnation; and where solidarity replaces competition. We want the materialization of a new world, where every individual is master of their own destiny, cooperating freely with their equals, without the oppressive shadow of governments, police, armies, or bosses.

The path to this world does not pass through the State’s ballot boxes or the seizure of its palace. It passes through direct action, through horizontal organization, through mutual aid, and through building here and now, within the bowels of the old society, the embryos of the new world. It is in the wildcat strike, in the autonomous commune, in the production collective, in the occupation, and in every form of resistance that we deny power and affirm life. We do not ask for permission to be free. We take our freedom with our own hands. To us, anarchists, falls the glorious task of dreaming the impossible to conquer the real: a world without a State and without capital. To action, then! For the social revolution and for total freedom.

Liberto Herrera.

Al Español:

Más Allá del Estado y del Capital: ¡La Urgencia de los Sueños Enteros!

Camaradas, nosotros, los anarquistas, alzamos nuestra voz contra la tiranía de todos los amos y contra la mediocridad de todas las revoluciones parciales. Rechazamos con todo nuestro ímpetu la vana promesa de marxistas, leninistas, estatistas, capitalistas, etc., que nos ofrecen meras migajas de emancipación a cambio de nuestra sumisión a un nuevo amo: el Estado. Ya sea en la versión burocrática de la “dictadura del proletariado” o en la falacia reformista del capitalismo regulado, todos predican la misma herejía: que la libertad puede ser administrada, parcelada y distribuida por un poder central. ¡Rasgamos ese contrato de esclavitud! No queremos los sueños parcelados de esos traficantes de ilusiones. ¡QUEREMOS SUEÑOS ENTEROS!

Esos “sueños parcelados” son una trampa perversa. Los marxista-leninistas prometen un futuro comunista, pero su método es la conquista del aparato estatal, la creación de una nueva clase de burócratas y la perpetuación de la lógica del poder. Cambian al patrón privado por el patrón estatal, la explotación capitalista por la explotación estatal. Su sueño es una pesadilla autoritaria, donde la libertad individual es aplastada en nombre de un colectivo forjado por la coerción. El Estado, en cualquier forma que se presente, es enemigo de la autogestión y la libre asociación. Es la negación de la revolución social, pues sustituye la iniciativa directa del pueblo por el decreto de una minoría que se cree iluminada.

De la misma forma, el capitalismo, en su fase más salvaje o en su máscara socialdemócrata, sólo nos ofrece el sueño parcelado del consumidor. Nos vende la ilusión de libertad a través de la posesión de mercancías, mientras nos roba la autonomía real sobre nuestras vidas y nuestro trabajo. Su “sueño” es una pesadilla de alienación, donde nos convertimos en apéndices de la máquina de producción y consumidores de nuestra propia miseria. El Capital y el Estado son las dos caras de la misma moneda opresora; uno no puede existir sin el otro. El Estado garantiza la propiedad privada de los medios de producción y la jerarquía social, mientras el capital sustenta el poder económico que alimenta el aparato estatal.

Por lo tanto, nuestra lucha no es por un Estado “mejor” o por un capitalismo “más justo”. ¡Nuestra lucha es por la abolición pura y simple de ambos! QUEREMOS SUEÑOS ENTEROS: sueños de una sociedad donde la autogestión sea el principio organizador de abajo hacia arriba; donde las comunidades libres se federen voluntariamente; donde el trabajo sea una actividad creativa y no una condena; y donde la solidaridad reemplace a la competencia. Queremos la materialización de un mundo nuevo, donde cada individuo sea señor de su propio destino, cooperando libremente con sus iguales, sin la sombra opresora de gobiernos, policía, ejércitos o patrones.

El camino hacia este mundo no pasa por las urnas del Estado ni por la toma de su palacio. Pasa por la acción directa, por la organización horizontal, por el apoyo mutuo y por la construcción aquí y ahora, en las entrañas de la vieja sociedad, de los embriones del mundo nuevo. Es en la huelga salvaje, en la comuna autónoma, en el colectivo de producción, en la ocupación y en toda forma de resistencia donde negamos el poder y afirmamos la vida. No pedimos permiso para ser libres. Tomamos nuestra libertad con nuestras propias manos. A nosotros, los anarquistas, nos corresponde la tarea gloriosa de soñar lo imposible para conquistar lo real: un mundo sin Estado y sin capital. ¡A la acción, pues! Por la revolución social y por la libertad total.

Liberto Herrera.

EM BREVE: NOVOS CURSOS DE AUTODEFESA DA FACA!

A Federação Anarquista Capixaba concluiu recentemente mais um ciclo de seu Curso de Autodefesa, onde companheiras e companheiros puderam aprender e trocar conhecimentos fundamentais para a proteção individual e coletiva. A iniciativa reforça nosso compromisso com a construção de um povo forte e organizado, capaz de enfrentar a violência do Estado e dos grupos reacionários. A autodefesa é um pilar da autonomia popular e um ato de resistência direta.

Diante do sucesso e da alta procura, informamos que novas turmas serão formadas em breve! Seguiremos ampliando esta ferramenta de luta, porque acreditamos que a organização e a capacidade de defesa são passos concretos na construção do nosso ideal. Fiquem atentos aos nossos canais para as inscrições. A luta se faz com estudo, organização e ação direta!

E se tem interesse em organizar um curso em sua cidade, nos escreva!

Federação Anarquista Capixaba – FACA

PELA UNIÃO E ORGANIZAÇÃO ANARQUISTA: DA TEORIA À AÇÃO COMBATIVA!

Às companheiras, companheiros e companheires, àqueles que carregam no peito o fogo da liberdade e o ódio à opressão: saudações da Federação Anarquista Capixaba!

O atual momento histórico exige mais do que palavras indignadas; exige ação concertada e estratégia. Enquanto nos perdemos em discursos fragmentados e ações desconexas, o capital avança, internacional e articulado, pisoteando povos, ecossistemas e qualquer resquício de autonomia. Sua face é global, e nossa resposta, até agora, tem sido localista e insuficiente. É hora de entender que a luta contra o Leviatã Estatal e o vampiro do Capital não será vencida por atos de bravura isolados, mas pela construção de um movimento capaz de enfrentá-los em todas as frentes.

A dispersão é nosso maior inimigo interno. Enquanto nos contentamos com grupelhos fechados em suas próprias verdades ou ações simbólicas sem continuidade, o sistema ri e segue seu caminho de destruição. Romantizar a espontaneidade sem organização é um luxo que não podemos mais nos dar. Precisamos de uma união orgânica, fluida e combativa, que transcenda as afinidades pessoais e se estruture em torno de um programa e uma estratégia comum. Só uma organização específica anarquista, firmemente enraizada nas lutas populares, pode acumular forças, compartilhar experiências e projetar uma transformação social real e duradoura.

Não basta diagnosticar os males do mundo; é nossa obrigação mergulhar nas profundezas da conjuntura e dela extrair um plano de batalha realista. A análise não é um exercício acadêmico, mas a base para a ação eficaz. Devemos estudar minuciosamente as táticas do inimigo, identificar seus pontos fracos e, a partir daí, criar estratégias de ação que sejam ao mesmo tempo ousadas e exequíveis. Isso significa conectar nossa prática cotidiana – do apoio mútuo nas comunidades à greve no local de trabalho – com nosso horizonte estratégico de transformação social radical. É a ponte que nos tira do campo das ideias e nos lança ao combate direto.

O capital não conhece fronteiras, e nossa solidariedade também não pode conhecer. Nossa luta no Espírito Santo está intrinsecamente ligada à dos povos da Amazônia, dos trabalhadores da Europa, dos oprimidos do Sul global. A internacionalização da luta não é um slogan, mas uma necessidade de sobrevivência e vitória. Devemos construir canais de comunicação, apoio e ação direta com organizações irmãs em todo o mundo, compartilhando táticas, recursos e, acima de tudo, a convicção de que nenhum de nós é livre enquanto um de nós for escravo. Nossa rede deve ser tão global quanto a do capital, porém, fundada na liberdade e na cooperação, não na exploração.

Portanto, chamamos todas e todos que almejam um mundo verdadeiramente livre a superar a inércia e o sectarismo. Unamo-nos sob a bandeira negra e vermelha da Anarquia organizada! Vamos forjar na prática uma ferramenta de luta afiada, capaz de analisar, planejar e atacar. O inimigo é poderoso, mas nossa força reside no povo organizado. É hora de transformar nossa indignação em movimento, nossa teoria em ação combativa e nossa esperança em realidade. A luta é aqui, é agora e é até a vitória final!

PELA ANARQUIA!
FEDERAÇÃO ANARQUISTA CAPIXABA (FACA)

Das Mãos Vazias às Mãos que Se Defendem: A FACA Promove Formação de Autodefesa no Espírito Santo

Em um ato de preparação diante da crescente violência estatal e paramilitar, a Federação Anarquista Capixaba (FACA) ocupou o território dominado pelo estado do Espírito Santo para realizar, no último 13 de outubro de 2025, em Guarapari, uma formação em defesa pessoal voltada para a classe trabalhadora. A ação, organizada de forma horizontal e autogerida, visou armar corpos e mentes contra a repressão cotidiana, transformando um espaço de lazer imposto pelo capital em um território temporário de auto-organização e aprendizado coletivo. Longe dos aparatos de segurança do Estado, que protegem a propriedade e criminalizam a pobreza, xs trabalhadorxs capixabas praticaram a autodefesa como princípio fundamental da libertação.

Esta iniciativa vai além da mera reação física; é um gesto profundamente político de desobediência à lógica que entrega nossa segurança aos mesmos aparatos que nos oprimem. Enquanto o Estado monopoliza a violência para garantir a ordem do capital, a FACA reafirma que a verdadeira segurança nasce da solidariedade de classe e da capacidade de defesa coletiva. Aprender a proteger o próprio corpo e o do companheiro é o primeiro passo para proteger a comunidade e o território das incursões do Capital e de suas forças de repressão, construindo uma trincheira de corpos indisponíveis para a dominação.

A formação em Guarapari não é um evento isolado, mas um elo na cadeia de ações diretas que buscam forjar a autonomia popular. Ao proporcionar esses saberes, historicamente restritos às forças de segurança, a FACA pratica a educação libertária que entrelaça teoria e prática, gestando o embrião da sociedade livre que almejamos: uma onde o povo, organizado e consciente de seu poder, não apenas resiste, mas constrói as bases materiais de um mundo sem patrões e sem Estado. Cada golpe desferido com técnica é um não à submissão; cada esquiva, uma negação prática à passividade imposta.

Federação Anarquista Capixaba – FACA

O Fogo do Conhecimento na Revolução Anarquista

A ignorância não é inocente: é o alicerce sobre o qual o capitalismo ergue seus templos de opressão. A alienação fabricada pelo sistema — que transforma história em mercadoria, ciência em ferramenta corporativa e pensamento crítico em ameaça — não é acidental. É projeto. Romper essa névoa exige estudo militante: ler Bakunin para entender as engrenagens da exploração, devorar Kropotkin para desenhar horizontes de mútua ajuda, decifrar Bookchin para fundir ecologia e libertação, etc. Conhecimento, aqui, não é adorno: é martelo para quebrar grilhões. Quem desconhece as estruturas da dominação reproduz, mesmo sem querer, a lógica do opressor.

Nesse contexto, a leitura anarquista é subversão ativa — um ataque à propriedade intelectual do saber. Enquanto universidades corporativas vendem diplomas como títulos de nobreza, nós erguemos bibliotecas livres nas ocupações, traduzimos panfletos em assembleias, debatemos Malatesta em greves. Cada texto anarquista lido coletivamente é um ato de desobediência epistêmica: nega-se o monopólio das elites sobre a razão. Estudar Emma Goldman não é exercício acadêmico; é aprender com quem incendiou teatros do patriarcado. A teoria, longe de ser abstração, é mapa de guerrilha contra o Estado e o Capital.

Refletir, porém, não é contemplação passiva. É autocrítica feroz e coletiva — a arma que impede a revolução de petrificar em nova tirania. Questionamos Proudhon diante de seu racismo, confrontamos as contradições de Stirner com o comunitarismo, reescrevemos o mutualismo à luz das lutas indígenas. Essa reflexão permanente desmonta dogmas e evita a criação de novos sacerdotes revolucionários. Nas palavras de Gustav Landauer: “O Estado é uma condição, um tipo de relação entre seres humanos” — desnaturalizá-lo exige pensar (e viver) relações antiautoritárias aqui e agora, nos espaços autogeridos.

Por fim, estudar é preparar o terreno do possível. Não há revolução duradoura sem transformação íntima: desaprender a competição, desenterrar a empatia soterrada pelo consumismo, forjar éticas baseadas na solidariedade. Quando comunidades estudam permacultura para criar zonas autônomas, quando coletivos mapeiam redes de apoio mútuo durante desastres climáticos, estão aplicando o conhecimento como alavanca material. A utopia não cai do céu: constrói-se com livros nas mãos, mas os pés nas ruas. Saber, nesse sentido, é o primeiro ato de rebelião — e o último refúgio que o capital jamais controlará.

Federação Anarquista Capixaba – FACA

Conferências da UAF: Não é falta de comida, é excesso de Capitalismo: A invenção da Fome

A FACA divulga a Conferência da UAF (a qual somos filiades), convidando tod@s camaradas e afins para prestigiar!

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A fome não é um acidente nem uma fatalidade. É um projeto político e econômico do capitalismo, que transforma o alimento – um direito básico – em uma mercadoria lucrativa. Enquanto o agronegócio ostenta recordes de produção e lucros bilionários, milhões são lançados à miséria extrema, vítimas de um sistema que prioriza a exportação e a acumulação de riqueza nas mãos de poucos. A fome é a violência mais visceral deste modelo de morte.

É urgente desmascarar essa engrenagem perversa e romper com a narrativa de que não há alternativa. Precisamos falar de soberania alimentar, de autogestão, de apoio mútuo e de como a organização popular direta pode construir um novo caminho, desde já, a partir da base, sem depender do Estado ou dos capitalistas.

União Anarquista Federalista (UAF) convoca todes para a conferência “A Fome é uma Invenção do Sistema Capitalista”, no dia 03 de Outubro de 2025, às 20h. Vamos juntar a fome com a vontade de lutar! Para garantir sua inscrição e receber o link de acesso, envie um e-mail para uaf@riseup.net. Não vamos apenas denunciar a fome; vamos organizar a sua abolição!

União Anarquista Federalista (UAF)

3 ANOS DE FACA: MEMÓRIA, REVOLTA E CINEMA NA QUEBRADA!

Em 2025, completamos 3 anos de organização e luta anarquista no Espírito Santo. E pra celebrar nossa resistência, nada melhor que resgatar a história daqueles que ousaram sonhar com liberdade antes de nós.

FACA – Federação Anarquista Capixaba convida para o Cineclube FACA, com a exibição do documentário:

“COLÔNIA CECÍLIA: UM SONHO ANARQUISTA”

Um filme que revive uma das experiências anarquistas mais radicais do Brasil — a colônia libertária que desafiou o poder, a propriedade e a moral no século XIX. Uma história de sonho, rebeldia e utopia concreta que ecoa até hoje.

Vamos exibir, debater e refletir junto com as quebradas do estado:

📅 CACHOEIRO DE ITAPEMIRIM
25/08 (segunda) – 19h

📅 LARANJA DA TERRA
26/08 (terça) – 19h

📅 MUNIZ FREIRE
01/09 (segunda) – 19h

Essa atividade integra o calendário de lutas dos nossos 3 anos. É cultura, é formação, é luta!
Leve sua ideia, seu povo e sua revolta.

– Informações e inscrições: fedca@riseup.net

Vamos ocupar as telas e as ruas. Por um cinema que educa, e uma educação que liberta!

Federação Anarquista Capixaba – FACA