E a bandeira anarquista tremulou neste no 1º de Maio de 2026!

Enquanto outros se perguntavam o que fazer no 1º de Maio de 2026, a FACA, em conjunto com a União Anarquista Federalista (UAF) propôs, e a luta aconteceu. Do sul ao norte do Estado, a bandeira preta e vermelha voltou a se erguer onde o sistema gosta de pisar: nos bairros operários, nas fábricas silenciadas pelo medo, nos muros cinzentos da exploração. Mas foi em Cachoeiro de Itapemirim que o chão tremeu de novo. Ali, na terra onde a história não morreu, o anarquismo mostrou que ainda respira fundo – com colagens, panfletos e rodas de conversa que despertaram a classe trabalhadora do torpor eletrônico.

Em Cachoeiro, a bandeira preta e vermelha tremulou novamente. Não como peça de museu, mas como fogo vivo. A FACA esteve lá para lembrar que o fascismo avança, que o Congresso cospe ódio, que as milícias urbanas e os pastores armados querem nos dobrar. Mas a resposta foi a mesma de sempre: organização de baixo para cima, autonomia, rebeldia. Homens e mulheres trabalhadores de Cachoeiro pararam, leram, discutiram. A escala 6×1 foi denunciada. O assédio moral, a inteligência artificial que descarta gente como peça defeituosa, os robôs que roubam o suor – tudo isso foi nomeado, escrachado, enfrentado. A FACA não fala sozinha: ela costura a voz de quem vive do braço.

E enquanto a cidade de Cachoeiro de Itapemirim via a bandeira dupla – preta como a fome que o capital espalha, vermelha como o sangue derramado em pelos Mártires de Chicago – a FACA espalhou sementes também em Vitória, Vargem Alta, Alegre, Piúma, Marataízes, Itapemirim. Mas é no sul capixaba que a chama pegou com mais força, porque lá o povo sabe que a guerra de classes não acabou. Não acabou em 1936, não acabou na ditadura, não acabou agora. A bandeira que tremulou em Cachoeiro é a mesma que tremulará nas próximas batalhas. A FACA não pede licença: ela entra pela porta da fábrica, pelo porto da escola, pelo beco da periferia.

E o 1º de Maio de 2026 foi só o aquecimento. A Federação Anarquista Capixaba está nas ruas, mas precisa de mais braços, mais mentes, mais fúria organizada. Se você quer ver a bandeira preta e vermelha tremulando em cada esquina, se está cansado de patrão, pastor, juiz e robô decidindo sua vida, chega junto.

Filie-se à FACA. Venha construir conosco a única força que pode parar o capital: a classe trabalhadora em pé, armada da sua própria consciência e organização.

Procure a Federação Anarquista Capixaba.

A luta te espera!

Federação Anarquista Capixaba – FACA

Filiada à União Anarquista Federalista – UAF

Vida precária, punho erguido: organizar ou morrer

Reproduzimos o texto publicado pelo camarada Liberto Herrera em seu website, por ocasião do 1º de Maio de 2026.

———————————————————–

Chega.

Chega de esperar o salvador de paletó, o sindicato de mãos dadas com o patrão, o político que vai nos dar a mão enquanto a outra nos apunhala pelas costas. Chega de assistir, de lamentar, de compartilhar artigo de opinião e achar que isso é luta. A passividade é o nosso verdadeiro algoz. Ela é a saliva que lubrifica a guilhotina.

Olhem ao redor. A precarização não é acidente, é projeto. Seu salário que não dá pra carne, seu aluguel que come três quartos do mês, seu tempo de vida trocado por migalhas e um atestado de burnout – tudo arquitetado. As guerras não são loucura de poucos: são negócio. Cada bomba que explode longe é financiada pelos mesmos bancos que te negam crédito, pelos mesmos fundos que compram sua dívida, pelos mesmos governos que nos chamam de “ameaça” quando pegamos numa bandeira negra.

E a decadência burguesa? Olhem para o espetáculo. Celebridades vendendo ansiedade como estilo de vida, influenciadores pregando resiliência pra quem não tem o que comer, uma cultura que transforma desespero em entretenimento. O inimigo não está apenas na fábrica, no quartel ou no palácio. Ele está dentro da nossa cabeça quando acreditamos que “não tem jeito”, que “é assim mesmo”, que o máximo que podemos fazer é votar e rezar.

Mentira.

A resposta não virá de cima. Nunca veio. Virá de nós, dos nossos punhos suados, das nossas costas doloridas, das nossas noites em claro costurando lona para barricada ou imprimindo panfleto na gráfica do companheiro que arrisca o couro. A resposta é luta. E luta sem organização é espasmo.

Por isso, para o Primeiro de Maio de 2026, não quero ver bandeira institucional hasteada por burocrata de gravata. Quero ver assembleia no bairro, piquete na porta do armazém que explora, greve geral começando às 6h da manhã. Quero ver o trabalho parado, a produção interrompida, o silêncio ensurdecedor das máquinas que só se calam quando nós mandamos. Quero ver os precarizados – entregadores, terceirizados, intermitentes, os “sem-direitos” – descobrindo que o poder está na rua, não no aplicativo.

Organização não é burocracia. É reconhecer o companheiro do lado, saber em quem confiar quando o gás lacrimogêneo descer. É ter um plano, um fundo de resistência, uma gráfica, um telégrafo humano. É aprender com os que vieram antes – os anarquistas que tombaram nas fábricas, nos campos, nas guerras civis – e aplicar ao nosso tempo. O inimigo tem inteligência artificial e satélite. Nós temos o que ele nunca terá: a certeza de que a terra é de quem nela põe os pés e o suor.

1º de Maio de 2026: vamos parar o mundo. Não com pedido, não com abaixo-assinado, não com marcha light autorizada pela prefeitura. Vamos parar com ação direta. O dia em que nenhum caminhão circular, nenhum lixo for coletado, nenhuma aula for dada, nenhum prato for lavado no restaurante. O dia em que a burguesia olhar pela janela e ouvir o silêncio da produção parada – o barulho mais aterrorizante que existe pra quem vive de explorar.

A precarização da vida só vence quando aceitamos migalhas em troca de sossego. As guerras só continuam enquanto a classe trabalhadora se mata entre si por bandeirinhas. A decadência só é suportável enquanto nos anestesiamos com consumo e futilidade.

Nosso grito não é por “inclusão” no sistema. Nosso grito é pelo fim do sistema.

Organizar ou ser aniquilado. Lutar ou apodrecer.

Dia 1º de Maio de 2026, a terra treme. E não será terremoto. Serão nossas botas no asfalto.

Vidas precárias, nenhum minuto a mais de passividade. Às ruas, companheiros. O futuro não espera – ele se toma.

Liberto Herrera.

Fonte: https://libertoherrera.noblogs.org/2026/04/27/vida-precaria-punho-erguido-organizar-ou-morrer/

Nenhum direito a menos! Mais por conquistar…

A Federação Anarquista Capixaba divulga amplamente o chamado da UAF para este 1º de Maio de 2026, convidando a todxs a participar e difundir!

Pagando aluguel, energia, alimentação, água, gás e transporte não sobra pra saúde nem para doença, não sobra para lazer nem para descanso: de Norte a Sul, do litoral ao sertão, o salário acaba antes do fim do mês.

O empreendedorismo é a ilusão vendida como solução de hoje à falta de trabalho com CLT ou Estatutário. Nos incentivam a criar, produzir, oferecer serviços, mentindo que seremos patrões de nós mesmos. A verdade verdadeira é que os BANCOS e o ESTADO brasileiros financiam as grandes empresas nacionais e multinacionais, na indústria e agronegócio com “juros” de compadres e aos pequenos sobra sua força de trabalho e a sorte.

Lutamos e conquistamos, no início do século XX, no Brasil a jornada de 8 horas de trabalho. Hoje, trabalhamos mais horas, ganhamos menos e a propaganda nas redes sociais, rádios, televisão é que hoje temos mais liberdade de usar nosso tempo. Mas, como posso usar “meu” tempo se tenho de trabalhar 12 horas e não me sobra dinheiro? E se eu ficar doente? Índigena Galdino queimado vivo nas ruas de Brasília. Adolescentes classe média promovem estupro coletivo no Rio de Janeiro. Criança preta morta indo para aula em Belém. Mulher assassinada em Cuiabá pelo ex-marido.

Cachorro Orelha assassinado a pauladas numa praia da elite Catarinense. Chacina do Cabula executada por policiais militares.Pobreza, impunidade, ausência de educação, propaganda do ódio, superexploração do trabalhador e da trabalhadora?

Nossos sindicatos estão tomados por partidos políticos de direita, esquerda e fascistas. O fascista Bolsonaro e sua política negacionista hipócrita promoveu a morte de mais de 700 mil brasileiros e brasileiras. O Congresso Nacional e o governo Lula 3 mantém a militarização da sociedade crescente com ESCOLAS MILITARIZADAS, GUARDAS MUNICIPAIS MILITARIZADAS, MILITARIZAÇÃO DE TERRITÓRIOS INDÍGENAS E QUILOMBOLAS, AUMENTO DE GASTOS MILITARES, INVESTIMENTO EM INDÚSTRIAS ARMAMENTISTA MILITAR, REDUÇÃO DOS INVESTIMENTOS EM EDUCAÇÃO E SAÚDE. O sindicato é uma ferramenta. É nossa ferramenta que foi roubada.

A UAF é uma associação anarquista federalista de coletivos e indivíduos que trabalha para construir e firmar no Brasil alternativas de vida, de organização social e econômica justa e igualitária fora, paralela e para além do capitalismo, entendendo, vivendo e praticando a unidade de justiça e liberdade, a unidade de pessoa e natureza pelo bem viver. Oferecemos nossa mensagem à todas trabalhadoras e trabalhadores neste Primeiro de Maio de 2026 com o propósito de juntos defendermos nossos direitos e construirmos um vida melhor, mais digna, mais justa, com mais liberdade.

SAUDAÇÕES TRABALHADORA E TRABALHADOR Brasileiros!

União Anarquista Federalista – UAF

Filiada à Internacional de Federações Anarquistas – IFA

uafbr.noblogs.org

MANIFESTO DO PRIMEIRO DE MAIO DE 2026 – FACA

Trabalhadorx, exploradx, rebelde sem causa ou com causa: é hora de ocupar as ruas e parar a engrenagem!

A Federação Anarquista Capixaba (FACA) convoca TODXS os militantes da luta direta, os insubmissos, os cansados de pedir licença e os que sabem que a liberdade não se implora — se conquista com a ação direta e a solidariedade de classe.

Primeiro de Maio de 2026. Não será mais um dia de festa patrocinada pelos patrões e pelo Estado. Não será um feriado para descanso vigiado ou para churrasco alienado. Este Primeiro de Maio será o grito na garganta de quem produz tudo e não possui nada. Será o dia em que pararemos as fábricas, os transportes, os serviços, as universidades, as escolas e as cozinhas onde se cozinha a obediência.

A exploração não tira férias. Por que nós tiraríamos?

Enquanto o capital acumula lucros sobre nossas costas dobradas, enquanto a fome e o despejo viram rotina, enquanto a polícia mata e o judiciário absolve — nossa resposta será a desobediência organizada. Chega de migalhas. Chega de reformas que não reformam nada. Chega de esperar o “momento certo” que nunca chega.

Nossa arma é a organização de baixo para cima. Comissões de fábrica, núcleos de bairro, coletivos estudantis, grupos de apoio mútuo, ocupações de terras e moradias. Contra o sindicalismo de pelegos, contra o Estado que nos oprime, contra o patrão que nos suga até o osso — a greve geral! O boicote! A sabotagem pacífica à lógica do lucro! A autogestão!

Neste 1º de Maio, a FACA chama todxs a:

– PARAR o trabalho. Se puder, pare. Se não puder, atrase, atrapalhe, desconecte. Toda engrenagem emperrada é uma vitória.
– OCUPAR as ruas, as praças, as portas das empresas. Sem pedir autorização. Sem esperar o sinal verde de quem nunca nos deu liberdade.
– ORGANIZAR assembleias populares nos locais de luta. Decidir coletivamente os próximos passos: da paralisia à paralisação, da paralisação à ocupação, da ocupação à autogestão.
– EXIGIR nada de quem nada nos deu. Tomaremos o que é nosso: o tempo, o pão, a terra, o teto, a alegria.

Abaixo o sistema que transforma nossa força vital em mercadoria!
Abaixo o Estado, o exército, a polícia, os juízes — todos os guardiões da propriedade privada!
Viva a luta anarquista! Viva o Primeiro de Maio como dia de insurreição cotidiana!

Nenhum direito sem luta. Nenhuma luta sem risco. Nenhum futuro sem rebeldia.

Venha com sua bandeira negra e vermelha. Venha com sua máscara, com sua coragem e com seus punhos cerrados. Venha com fome de mudança radical.

1º de Maio de 2026 — em cada cidade do Espírito Santo, em cada esquina, em cada local de trabalho: a FACA estará. E você?

Organize-se agora. Faça contato com a Federação e se informe!

A insurreição é um hábito que precisamos recuperar.

Federação Anarquista Capixaba (FACA) – Nenhum deus, nenhum patrão, nenhum Estado, nenhuma fronteira.
Pela vida digna HOJE.

E-mail: fedca@riseup.net

Federação Anarquista Capixaba – FACA
Federada à União Anarquista Federalista – UAF

Chão de fábrica, terreno de luta!

Companheiros e companheiras, é no chão da fábrica, no escritório, no canteiro de obras, no mercado, no aplicativo e em cada canto onde a gente vende nossa força por um salário miserável que o sistema mostra sua cara mais cruel. É ali, diante da máquina e do patrão, que sentimos na pele o suor da exploração. O capitalismo não é uma abstração distante; ele se materializa na jornada exaustiva, no assédio do chefe, na ameaça constante da demissão e no lucro que some nos bolsos de quem não produz porra nenhuma. Por isso, o local de trabalho é a nossa principal trincheira de luta. É onde as engrenagens giram e é exatamente ali que devemos enfiar o pé na roda!

Durante décadas, nos venderam a ilusão de que a solução viria de fora: de um político bonzinho, de uma lei trabalhista ou de um sindicato pelegueiro que negocia nossos direitos por migalhas. Mas a verdade é que ninguém vai nos libertar além de nós mesmos. A organização no local de trabalho é uma das armas mais poderosas que temos. É construindo comissões, núcleos de base e coletivos por setor que conseguimos enxergar quem realmente está ao nosso lado e quem está vendido ao sistema. É no dia a dia, dividindo o intervalo e a raiva, que forjamos a confiança necessária para agir. Uma paralisação relâmpago, uma operação-tartaruga, uma sabotagem estratégica na produção ou simplesmente a recusa coletiva a aceitar uma ordem abusiva — tudo isso nasce da organização invisível mas sólida que construímos entre os nossos.

Não se enganem: o patrão treme quando percebe que os trabalhadores estão conversando entre si sem a supervisão dele. Ele sabe que a união da classe é o prenúncio do fim dos seus lucros. Por isso, a FACA chama todos os trabalhadores e trabalhadoras a abandonarem o individualismo e a passividade que o sistema nos ensina. Vamos ocupar os espaços de trabalho com a nossa consciência de classe! Vamos transformar o cafezinho e a roda de fumo em células de resistência. Vamos nos apropriar dos saberes da produção para usá-los contra quem nos explora. A fábrica não é dele, é nossa! O lucro que ele acumula foi suor nosso, e está na hora de reivindicarmos não apenas migalhas, mas o controle de tudo o que produzimos.

Que este ano nos encontre mais organizados dentro de cada local de trabalho! A Federação Anarquista Capixaba (FACA) está ao lado de quem constrói a luta por dentro, enfrentando o chicote invisível do patrão e a burocracia sindical vendida. Se você está cansado de chegar em casa exausto e ver seu trabalho enriquecer um canalha, chega junto! Vamos fortalecer as comissões, articular as categorias e preparar o terreno para a greve geral que sacudirá esse sistema. A revolução não começa nos palanques, começa no chão da fábrica. Organize-se com seus iguais, confie na sua classe e prepare a sabotagem. O poder está nas nossas mãos, basta a gente se unir para tomar o que é nosso!

Federação Anarquista Capixaba (FACA)

Filiada à União Anarquista Federalista

A dupla greve de Genebra*

Por Mikail Bakunin

Os burgueses provocam-nos. Esforçam-se para levar-nos ao desespero por todos os meios, pensando, não sem muita razão, que seria muito bom para seus interesses forçar-nos a travar batalha com eles hoje.

Caluniam-nos e insultam-nos em seus jornais; desnaturam, travestem e inventam fatos, contando com as simpatias de seu público, que os perdoará tudo, desde os burgueses, os patrões sejam inocentados e os trabalhadores caluniados. Seguros dessa impunidade e dessa simpatia, o Journal de Genève, sobretudo, o devoto mentiroso, supera-se em mentiras.

Eles não se contentam em provocar-nos e insultar-nos por meio de seus escritos; impacientes para fazerem-nos perder a paciência, recorrem às vias de fato. Seus tristes filhos, essa juventude dourada cujo ócio corrompido e vergonhoso detesta o trabalho e os trabalhadores; esses acadêmicos, doutos em teologia e ignorantes da ciência, esses liberais da rica burguesia, vão às ruas, como no ano passado, e amontoam-se nos cafés, armados de revólveres mal dissimulados em seus bolsos. Dir-se-ia que eles temem um ataque por parte dos operários e que se creem forçados a afastá-los.

Eles creem seriamente nisso? Não, absolutamente não, mas simulam crer para ter o pretexto de armar-se e um motivo plausível para atacar. Sim, para atacar-nos, pois, na terça-feira passada, ousaram espancar alguns de nossos companheiros que, provocados por todos os insultos, responderam por verdades bastante desagradáveis, sem dúvida, para ouvidos tão delicados quanto os deles, mas que nem sequer encostaram as mãos neles. Permitiram-se detê-los e maltratá-los durante algumas horas, até que uma comissão enviada pela Associação Internacional à Prefeitura foi buscá-los.

O que pensam esses burgueses? Querem realmente forçar-nos a ir para as ruas de armas em punho? Sim, eles o querem. E por que o desejam? A razão é bem simples: desejam matar a Internacional.

Basta ler os jornais burgueses, isto é, quase todos os jornais de todos os países, para persuadir-se de que, se há, hoje, uma coisa que, mais do que qualquer outra, é um objeto de temor e horror para a burguesia na Europa, é a Associação Internacional dos Trabalhadores. E, como devemos ser justos, antes de tudo, justos inclusive em relação aos nossos adversários mais encarniçados, devemos reconhecer que a burguesia tem mil vezes razão para abominar e temer essa formidável associação.

Toda a prosperidade burguesa, sabemo-lo, como prosperidade exclusiva, está fundada sobre a miséria e sobre o trabalho forçado do povo, forçado não pela lei, mas pela fome. Essa escravidão do trabalho denomina-se, é verdade, nos jornais liberais tais como o Journal de Genèbve, a liberdade do trabalho. Mas essa estranha liberdade é comparável àquela de um homem desarmado e nu, que se o entregaria à mercê de um outro armado dos pés à cabeça. É a liberdade de fazer-se esmagar, abater. – Tal é a liberdade burguesa. Compreende-se que os burgueses adorem-na e que os trabalhadores não a suportem absolutamente; pois essa liberdade é para os burgueses a riqueza, e para os trabalhadores a miséria.

Os trabalhadores estão cansados de serem escravos. Não menos que os burgueses, mais do que os burgueses, eles amam a liberdade, porque compreendem muito bem, sabem por uma dolorosa experiência que sem liberdade não pode haver para o homem dignidade nem prosperidade. Mas não compreendem a liberdade senão na igualdade; porque a liberdade na desigualdade é o privilégio, quer dizer, a fruição de alguns fundada no sofrimento de todos. – Eles querem a igualdade política e econômica simultaneamente porque a igualdade política sem a igualdade econômica é uma ficção, uma enganação, uma mentira, e eles não querem mais mentiras. Os trabalhadores tendem, então, necessariamente, a uma transformação radical da sociedade que deve ter por resultado a abolição das classes do ponto de vista econômico tanto quanto político, e a uma organização na qual todos os homens nascerão, desenvolver-se-ão, instruir-se-ão, trabalharão e fruirão dos bens da vida em condições iguais para todos. Tal é o desejo da justiça, tal é, também, o objetivo final da Associação Internacional dos Trabalhadores.

Mas como ir do abismo de ignorância, de miséria e de escravidão na qual os proletários dos campos e das cidades estão hoje mergulhados, a esse paraíso, a essa realização da justiça e da humanidade sobre a terra? Para isso, os trabalhadores só têm um meio: a associação. Pela associação, eles instruem-se, informam-se mutuamente, e põem fim, por seus próprios esforços, a essa fatal ignorância que é uma das principais causas de sua escravidão. Pela associação, eles aprendem a ajudar-se, conhecer-se, apoiar-se um no outro, e acabarão por criar uma força mais formidável do que aquela de todos os capitais burgueses e de todos os poderes políticos reunidos.

A Associação tornou-se, portanto, a palavra de ordem dos trabalhadores de todas as indústrias e de todos os países, nesses vinte últimos anos sobretudo, e toda a Europa encontrou-se munida, como por encantamento, de uma multidão de sociedades operárias de todos os tipos. É incontestavelmente o fato mais importante e ao mesmo tempo mais consolador de nossa época – o sinal infalível da emancipação próxima e completa do trabalho e dos trabalhadores na Europa.

Mas a experiência desses mesmos vinte anos provou que as associações isoladas eram aproximadamente tão impotentes quanto os trabalhadores isolados, e que mesmo a federação de todas as associações operárias de um único país não bastaria para criar uma força capaz de lutar contra a coalizão internacional de todos os capitais exploradores do trabalho na Europa; a ciência econômica demonstrou, por outro lado, que a questão da emancipação do trabalho não é absolutamente uma questão nacional; que nenhum país, por mais rico, por mais poderoso e por mais importante que ele seja, não pode, sem arruinar-se e sem condenar todos os seus habitantes à miséria, empreender qualquer transformação radical das relações do capital e do trabalho se essa transformação não se faz igualmente, e ao mesmo tempo, ao menos em uma grande parte dos países mais industriosos da Europa, e que, por consequência, a questão da libertação dos trabalhadores do jugo do capital e de seus representantes, os burgueses, é uma questão eminentemente internacional. Disso resulta que a solução só é possível no terreno da internacionalidade.

Operários inteligentes, alemães, ingleses, belgas, franceses e suíços, fundadores de nossa bela instituição, compreenderam-no. Eles também compreenderam que, para realizar essa magnífica obra da emancipação internacional do trabalho, os trabalhadores da Europa, explorados pelos burgueses e esmagados pelos Estados, só deviam contar com eles próprios. Assim foi criada a grande Associação Internacional dos Trabalhadores.

Sim, grande e formidável, verdadeiramente! Ela tem apenas quatro anos e meio de existência e já abrange várias centenas de milhares de aderentes disseminados e estreitamente aliados em quase todos os países da Europa e também da América. Um pensamento e uma empresa que produzem em tão pouco tempo tais frutos, só pode ser um pensamento salutar, uma empresa legítima.

Trata-se de um pensamento secreto, de uma conspiração? Sem dúvida algum. Se a Internacional conspira, ela o faz às claras e diz a quem quiser ouvi-la. E o que ela diz, o que pede? A justiça, nada além da mais estrita justiça e o direito da humanidade, e a obrigação do trabalho para todos. Se à sociedade burguesa atual esse pensamento parece subversivo e abjeto, tanto pior para essa sociedade.

Trata-se de uma empresa revolucionária? Sim e não. Ela é revolucionária no sentido que quer substituir uma sociedade fundada na iniquidade, na exploração da imensa maioria dos homens por uma minoria opressiva, no privilégio, no ócio, e em uma autoridade protetora de todas essas belas coisas, por uma sociedade fundada nessa justiça igual para todos e na liberdade de todos. Ela quer, em resumo, uma organização econômica, política e social, na qual todo ser humano, sem prejuízo para suas particularidades naturais e individuais, encontre uma igual possibilidade de desenvolver-se, instruir-se, pensar, trabalhar, agir e desfrutar a vida como homem. Sim, ela quer isso, e, uma vez mais, se o que ela quer é incompatível com a atual organização da sociedade, tanto pior para essa sociedade.

A Associação Internacional é revolucionária no sentido das barricadas e de uma derrubada violenta da ordem política atualmente existente na Europa? Não: ela ocupa-se muito pouco dessa política, e, inclusive, não se ocupa absolutamente disso. Assim, os revolucionários burgueses querem-lhe muito mal pela indiferença que ela testemunha em relação às suas aspirações e a todos os seus projetos. Se a Internacional não tivesse compreendido desde há muito que toda política burguesa, por mais vermelha e revolucionária que pareça, tende não à emancipação dos trabalhadores, mas à consolidação de sua escravidão, o papel lamentável desempenhado neste momento pelos republicanos e, inclusive, pelos socialistas burgueses na Espanha bastaria para abrir-lhe os olhos.

A Associação Internacional dos Trabalhadores, fazendo completa abstração de todas as intrigas políticas atualmente, só conhece, neste momento, uma única política: aquela de sua propaganda, de sua extensão e de sua organização. No dia em que a grande maioria dos trabalhadores da América e da Europa tiver ingressado e estiver bem organizada em seu seio, não haverá mais necessidade de revolução; sem violência a justiça será feita. E, então, se houver cabeças quebradas, é porque os burgueses assim o quiseram.

Mais alguns anos de desenvolvimento pacífico e a Associação Internacional tornar-se-á uma força contra a qual será ridículo querer lutar. Eis o que os burgueses compreendem demasiado bem, e eis por que eles hoje provocam-nos para a luta. Hoje, eles esperam ainda poder afastar-nos, mas sabem que amanhã será demasiado tarde. Eles querem forçar-nos a travar batalha com eles agora.

Cairemos nessa armadilha grosseira, operários? Não. Faríamos muito prazer aos burgueses e arruinaríamos a nossa causa por muito tempo. Temos conosco a justiça, o direito, mas nossa força ainda não é suficiente para lutar. Comprimamos, pois, nossa indignação em nossos corações, permaneçamos firmes, inquebrantáveis, mas calmos, quaisquer que sejam as provocações dos jovens arrogantes e impertinentes da burguesia. Suportemos ainda; não estamos habituados a sofrer? Soframos, mas não esqueçamos nada.

E, enquanto aguardamos, prossigamos, redobremos, ampliemos cada vez mais o trabalho de nossa propaganda. É preciso que os trabalhadores de todos os países, os camponeses bem como os operários das fábricas e das cidades, saibam o que quer a Associação Internacional, e compreenderam que, fora de seu triunfo não há para eles qualquer outro meio de emancipação sério; que a Associação Internacional é a pátria de todos os trabalhadores oprimidos, o único refúgio contra a exploração dos burgueses, a única força capaz de derrubar o poder insolente dos burgueses.

Organizemo-nos, ampliemos a nossa Associação, mas, ao mesmo tempo, não esqueçamos de consolidá-la a fim de que nossa solidariedade, que é toda a nossa força, torne-se a cada dia mais real. Sejamos cada vez mais solidários no estudo, no trabalho, na ação pública, na vida. Associemo-nos em empresas comuns para fazer nossa existência um pouco mais suportável e menos difícil; formemos em toda parte, e tanto quanto nos seja possível, essas sociedades de consumo, de crédito mutual e de produção, que, conquanto incapazes de emancipar-nos de uma maneira suficiente e séria nas condições econômicas atuais, habituam os operários à prática dos negócios e preparam germes preciosos para a organização do futuro.

Esse futuro está próximo. Que a unidade de escravidão e miséria que hoje abraça os trabalhadores do mundo inteiro transforme-se, para todos nós, em unidade de pensamento e vontade, de objetivo e ação – e a hora da libertação e da justiça para todos, a hora da reivindicação e da plena satisfação soará.

* Este texto encerra a sequência de escritos de Bakunin publicados pela FACA entre os meses de Fevereiro e Março de 2026.

Discurso do cidadão Bakunin a uma Assembleia Pública de socialistas estrangeiros

Esta imagem não tem texto alternativo. O nome do ficheiro é: anabola.png

Após ter dito que a Assembleia não se reunira apenas para prestar homenagem à memória do bravo republicano Baudin, assassinado pelos bandoleiros de dezembro, mas ainda para exprimir seu devotamento aos princípios da República democrática e social, o cidadão Bakunin exprimiu-se nesses termos:

Somos socialistas, isto é, desejamos todos:

A igualdade das condições políticas, econômicas e sociais para todos;

A igualdade dos meios de sustento, de educação, de instrução para todas as crianças dos dois sexos – e aquela dos meios de trabalho para todos os homens viris e para as mulheres.

Queremos a justiça social e a liberdade real de cada ser humano pela solidariedade de todos;

Queremos a Fraternidade de todos os seres humanos sobre a terra, sem distinção de nações, cor e raça.

Queremos que a paz reine no mundo, fundada na razão esclarecida pela ciência, fundada na justiça humana, isto é, na liberdade, na igualdade e na universal fraternidade. Mas quem quer o fim, deve querer os meios. Devemos, pois, querer a abolição de todas as fronteiras políticas criadas pela violência dos Estados. Queremos a supressão dos Estados, seu desaparecimento na organização livre e universal da sociedade humana.

Quem diz Estado, diz fortaleza, diz separação violenta de uma porção da humanidade de todas as outras porções igualmente aprisionadas em outros Estados; diz rivalidade, concorrência e guerra perpétua dos Estados; diz conquista, espoliação e massacre patriótico e glorioso no exterior e no interior: opressão e exploração legalizada e regulada do trabalho popular, em proveito de uma minoria dominante.

A paixão correspondente a essa dupla manifestação dos Estados chama-se patriotismo. Não queremos mais patriotismo, pois queremos a justiça, o direito humano e a fraternidade humana.

Quem diz Estado, diz privilégio. O privilégio por excelência que serve de fundamento a todas as outras injustiças políticas e sociais é a propriedade individualmente hereditária.

Essa propriedade tem por elementos, de início, seu ponto de partida, sua base histórica e real: a conquista, um fato sangrento e brutal, um delito contra a humanidade e contra a justiça, uma espoliação ou um massacre qualquer e, na maioria das vezes, ambos simultaneamente; em seguida, a consagração do ato violento realizado pela religião – a divindade tendo tomado em todos os tempos o partido dos mais hábeis e dos mais fortes; dessa consagração resultou o direito jurídico, a injustiça petrificada, sistematizada e legalizada. O conjunto de tudo isso se chama – Estado político.

Queremos, portanto, a abolição desse Estado, porque ele não tem outra missão senão proteger a propriedade individual; e nós queremos a abolição da propriedade individual porque enquanto ela existir, haverá necessariamente desigualdade. A sociedade permanecerá partilhada em duas porções, das quais uma – a minoria dominante e exploradora – será composta de todos os felizes da terra, nascendo na fartura, graças a essa lei de herança, e recebendo da sociedade a educação, a instrução e todos os meios materiais e intelectuais, políticos e sociais para continuar essa obra de exploração. A outra porção abarcará as massas populares, todos esses milhões de trabalhadores que não herdam senão a miséria e a ignorância forçada de seus pais, e que se verão eternamente condenadas a um trabalho excessivo que, mal lhes dando do que viver, aumentará o bem-estar, o luxo e a civilização dos burgueses.

No lugar da propriedade individual, queremos a propriedade coletiva, e no lugar dos Estados, a organização cada vez mais universal da sociedade humana, pela federação livre das associações produtivas, industriais e agrícolas. No lugar de uma organização social fundada no privilégio e na política dos Estados, queremos uma organização que não terá outra base senão o trabalho, senão a justa e fraternal repartição de todos os produtos do trabalho.

Em seguida, o cidadão Bakunin fala da Associação Internacional dos Trabalhadores.

Essa Associação, nascida há apenas quatro anos, já se tornou uma grande força, reconhecida como tal por todos os políticos da Europa. Ao formar-se, ela havia propositalmente eliminado de seu programa todas as questões políticas, deixando a política – essa manifestação da vida dos Estados, aos privilegiados dos Estados – aos burgueses. Quanto a ela, colocou-se, de início, um único objetivo: a Emancipação dos trabalhadores de todos os países do jugo do capital.

Uma longa e dura experiência havia demonstrado aos fundadores da Associação que esse objetivo não podia ser alcançado senão pelos esforços combinados, pela aliança e pela solidariedade dos trabalhadores de todos os países; a ciência econômica veio, por sua vez, confirmá-los nessa convicção, demonstrando-lhes a universalidade da questão social, que nenhum país, por mais avançado e mais extenso que seja, poderia resolver sozinho, porque enquanto a concorrência dos Estados existir, haverá concorrência necessária e permanente entre as classes e os indivíduos; mas essa concorrência é a guerra, é a exploração e a opressão mútuas.

A Associação Internacional, consciente e voluntariamente estranha a toda política, deu, portanto, um único passo, fez um único ato com vistas à grande questão da emancipação de todos os trabalhadores no mundo. Mas esse ato e esse passo são imensos; eles contêm toda a revolução.

Ao proclamar o direito dos trabalhadores à exploração solidária de todos os capitais produzidos pelo trabalho acumulado das gerações passadas, ela proclamou a destituição, não do capital, mas da monopolização do capital – a destituição da propriedade individual, do direito de herança, isto é, do direito hereditário da exploração do trabalho alheio – ela proclamou a propriedade coletiva.

Ao proclamar a solidariedade dos trabalhadores de todos os países, ela atacou as fronteiras e começou a destruição dos Estados. Ela matou o patriotismo, essa paixão, essa virtude interesseira dos burgueses.

Pelo próprio fato de sua organização e de sua existência, ela aboliu, renegou a existência de todas essas inumeráveis pátrias que, do ponto de vista da política aristotélica e burguesa, dividem ainda hoje a Europa e o mundo, de sorte que, para os trabalhadores, só restam agora dois países estrangeiros no mundo, duas pátrias que, divididas por seus princípios, suas aspirações e seus interesses, logo se farão uma guerra mortal: uma chama-se capital, propriedade individual, monopólio, exploração, opressão – em resumo, reação; a outra, trabalho, direito humano, liberdade de todos pela igualdade de todos, justiça e fraternidade – a Revolução.

Não é isso, cidadãos, o que chamamos de questão social? Não é isso o princípio que deve assegurar o triunfo da república democrática e social?

Eis, após a condenação de toda política burguesa, a verdadeira, a única política da Associação Internacional dos Trabalhadores.

Assim, ao mesmo tempo que se declarou estranha à nossa política, essa grande associação realizou o mais importante ato e fato político de nossos dias. Ela inaugurou a política do povo: aquela da negação da propriedade individualmente hereditária e da destruição dos Estados.

Retorno a Baudin. Era um bravo cidadão. Morreu como só os heróis morrem, sem esperança de triunfo, mas fiel até ao último momento à sua fé. Ele foi buscar a morte após ter tentado em vão sublevar o povo contra os massacradores de dezembro.

Os operários não quiseram segui-lo. Eles erraram, tiveram razão? Pois bem, cidadãos, penso que eles erraram e acertaram simultaneamente.

Eles tiveram razão contra essa assembleia reacionária que Napoleão, por seu golpe de Estado, havia dissolvido. Pois não se deve falar sempre das vítimas de dezembro – falemos também daquelas de junho.

Aqui, sobretudo, no meio dessa assembleia completamente popular, não devemos esquecer essas vítimas da causa do povo, esses milhares de bravos operários que foram massacrados pelas guardas nacionais burguesas, porque reivindicaram o direito popular – os meios da vida e da liberdade popular. A ferocidade burguesa de junho preparou a ferocidade pretoriana de dezembro. Cavaignac foi o precursor de Napoleão.

Pois bem, essa assembleia nacional, que se chamava, então, assembleia constituinte, após os massacres de junho, acolheu o General Cavaignac como o salvador da civilização, isto é, da burguesia, como seu salvador; ela amaldiçoou e caluniou as vítimas e coroou de louros o carrasco. Depois de todas essas medidas, todas as leis que ela promulgou tiveram um único objetivo: aquele de destruir uma a uma todas as liberdades que o povo havia conquistado em fevereiro. Eis por que os operários, por sua vez, tiveram razão, mil vezes razão, de não se sublevar para a conservação dessa assembleia reacionária e burguesa tanto quanto para a república completamente reacionária e burguesa criada por essa assembleia.

Mas se os operários tiveram razão em relação a ela, eles erraram mil vezes em relação a eles próprios. Eles devem sublevar-se contra o tirano, não em nome da república burguesa, mas em nome da república democrática e social, em nome da vida, do pão e da liberdade populares. Pois não há mais monstruosa ilusão, nem mais monstruosa aliança do que aquela do povo dos trabalhadores com a ditadura, qualquer que seja, mas sobretudo com a ditadura militar.

Dezessete anos de opressão e aviltamento demonstraram essa verdade elementar ao povo. Ele não buscará mais sua salvação no poder de um charlatão coroado, nem de um criminoso feliz. Ele logo destruirá, espero-o, a força dos fuzis, das baionetas e do sabre. Mas os destruirá não para os burgueses, mas para ele próprio.

A organização internacional

Mikhail Bakunin

As massas são o poder social, ou, pelo menos, a essência desse poder. Mas faltam-lhes duas coisas para se libertarem das condições odiosas que as oprimem: educação e organização. Essas duas coisas representam: hoje, os verdadeiros fundamentos do poder de todo governo.

Para abolir o poder militar e governante do Estado, o proletariado deve se organizar. Mas como a organização não pode existir sem conhecimento, é necessário espalhar entre as massas a educação social real.

Espalhar essa educação social real é o objetivo da Internacional. Consequentemente, no dia em que a internacional conseguir unir em suas fileiras metade, um quarto ou mesmo um décimo dils trabalhadores da Europa, o Estado ou Estados deixarão de existir. A organização da Internacional será completamente diferente da organização Estatal, pois seu objetivo não é criar novos Estados, mas destruir todos os sistemas de governo existentes. Quanto mais artificial, brutal e autoritário for o poder do Estado, mais indiferente e hostil ele for aos desenvolvimentos naturais, interesses e desejos do povo, mais livre e natural deve ser a organização da Internacional. Ela deve tentar se acomodar ainda mais aos instintos naturais e ideais do povo.

Mas o que queremos dizer com organização natural das massas? Queremos dizer uma organização que é fundada na experiência e resultados da vida cotidiana e na diferença de seus trabalhos, ou seja, sua organização industrial. No momento em que todos os ramos da indústria estiverem representados em sua Internacional, a organização das massas será completa.

Mas pode-se dizer que se nós, a Internacional, passarmos a existir com influência organizada sobre as massas: nós estaríamos visando um novo poder igualmente com os políticos dos antigos sistemas estatais. Essa mudança é um grande erro. As influência da Internacional sobre as massas difere de todo poder governamental, pois não são mais do que uma influência natural e não oficial de ideias comuns, sem autoridade.

O Estado é a autoridade, seu domínio e o poder organizado da classe proprietária e dos especialistas de faz-de-conta sobre a vida e a liberdade das massas. O Estado não quer nada além da servidão das massas. Logo, exige sua submissão.

A Internacional, por outro lado, não tem outro objetivo senão a liberdade absoluta das massas. Consequentemente, apela ao instinto rebelde. Para que esse instinto rebelde seja forte e poderoso o suficiente para derrubar o domínio do Estado e da classe privilegiada, a Internacional deve se organizar.

Para atingir esse objetivo, ela tem que empregar duas armas bastante justas:

1. A propagação de suas ideias.

2. A organização natural de seu poder ou autoridade, através da influência de sues adeptes sobre as massas.

Uma pessoa que afirmar que a atividade organizada é um ataque à liberdade das massas, ou uma tentativa de criar uma nova regra, é sofista ou tola. É triste o suficiente para aqueles que não conhecem as regras da solidariedade humana, pensar que a independência individual completa é possível, ou desejável. Tal condição significaria a dissolução de toda a sociedade humana, uma vez que toda a existência social do homem depende da interdependência dos indivíduos e das massas. Cada pessoa, mesmo a mais inteligente e forte – não, especialmente a inteligente e forte – é em todos os momentos, as criaturas como também os criadores desta influência. A liberdade de cada indivíduo é o resultado direto dessas influências materiais, mentais e morais, de todos os indivíduos que o cercam naquela sociedade em que ele vive, se desenvolve e morre. Uma pessoa que busca se libertar dessa influência em nome de uma “liberdade” metafísica, sobre-humana e perfeitamente egoísta visa seu próprio extermínio como ser humano. E aquelus que se recusam a usar essa influência sobre os outros, retiram-se de toda atividade da vida social e, ao não transmitir seus pensamentos e sentimentos, trabalham para sua própria destruição. Portanto, essa chamada “independência”, que é pregada com tanta frequência pelos idealistas e metafísicos: essa chamada liberdade individual é apenas a destruição da existência.

Na natureza, assim como na sociedade humana, que nunca é nada além de parte dessa mesma natureza, toda criatura existe sob a condição de que tente, tanto quanto sua individualidade permitir, influenciar a vida dos outros. A destruição dessa influência indireta significaria a morte. E quando desejamos a liberdade das massas, não queremos de forma alguma destruir essa influência natural, que indivíduos ou grupos de indivíduos criam por meio de seu próprio contrato.

O que buscamos é a abolição da influência artificial, privilegiada, legal e oficial. Se a Igreja e o Estado fossem instituições privadas, deveríamos ser, mesmo então, suponho que sues oponentes. Não deveríamos ter protestado contra seu direito de existir. É verdade, em certo sentido, eles são, hoje, instituições privadas, pois existem exclusivamente para conservar os interesses das classes privilegiadas. Ainda assim, nos opomos a eles, porque eles usam todo o poder das massas para forçar seu governo sobre as últimas de uma maneira autoritária, oficial e brutal. Se a Internacional pudesse ter se organizado da maneira do Estado, nós, sues amigues mais entusiasmades, teríamos nos tornado sues inimigues mais ferrenhes. Mas ela não pode se organizar dessa forma. A Internacional não pode reconhecer limites à camaradagem humana e, enquanto o Estado não pode existir a menos que limite, por pretensões territoriais, tal camaradagem e igualdade. A história nos mostrou que a realização de uma liga de todos os Estados do mundo, com a qual todos os déspotas sonharam, é impossível. Portanto, aqueles que falam do Estado, necessariamente pensam e falam de um mundo dividido em diferentes Estados, que são internamente opressores e externamente espoliadores, ou seja, inimigos uns dos outros. O Estado, já que envolve esta divisão, opressão e espoliação da humanidade, representa a negação da humanidade e a destruição da sociedade humana.

Não haveria sentido algum na organização dils trabalhadores, se elus não tivessem como objetivo a derrubada do Estado. A Internacional organiza as massas com esse objetivo em vista, para que elas possam se lembrar desse objetivo. Mas como ela as organiza?

Não de cima para baixo, impondo uma unidade e ordem aparentes na sociedade humana, como o estado tenta, sem considerar as diferenças de interesse decorrentes das diferenças de trabalho. Pelo contrário, a Internacional organiza as massas de baixo para cima, tomando a vida social das massas, suas aspirações reais como ponto de partida, e encorajando-as a se unirem em grupos de acordo com seus interesses reais na sociedade. A Internacional desenvolve uma unidade de propósito e cria um equilíbrio real de objetivo e bem-estar a partir de sua diferença natural na vida e trabalho.

Só porque a Internacional é organizada dessa forma, ela desenvolve um poder real. Portanto, é essencial que cada membre de cada grupo esteja familiarizade completamente com todos os seus princípios. Somente por esses meios elu será ume boe propagandista em tempos de paz e ume verdadeire revolucionárie em tempos de guerra.

Todes nós sabemos que nosso programa é justo. Ele expressa em poucas palavras nobres as demandas justas e humanas do proletariado. Só porque é um programa absolutamente humano, ele contém todos os sintomas da revolução social. Ela proclama a destruição do velho e a criação do novo mundo.

Este é o ponto principal que devemos explicar a todes ils membres da Internacional. Este programa substitui uma nova ciência, uma nova filosofia pela velha religião. E define uma nova política internacional, no lugar da velha diplomacia. Não tem outro objetivo senão a derrubada dos Estados.

Para que ils membres da Internacional preencham cientificamente seus postos, como propagandistas revolucionáries, é necessário que todes sejam imbuídos da nova ciência, filosofia e política: o novo espírito da Internacional. Não basta declarar que queremos a liberdade econômica dils trabalhadores, um retorno total para nosso trabalho, a abolição das classes, o fim da escravidão política, a realização de direitos humanos nulos, deveres iguais e justiça para todes: em uma frase, a unidade da humanidade. Tudo isso é, sem dúvida, muito bom e justo. Mas quando ils trabalhadores da Internacional simplesmente continuam repetindo essas frases, sem compreender sua verdade e significado, elus têm que enfrentar o perigo de reduzir suas justas reivindicações a palavras vazias, hipocrisia que não é nada sem compreensão.

Pode-se responder que nem todes ils trabalhadores, mesmo quando são membres da Internacional, podem ser educades. Não basta, então, que haja na organização um grupo de pessoas que — na medida do possível — se familiarizem novamente com a ciência, filosofia e política do Socialismo? Não pode a grande massa seguir seu “conselho fraternal” para não se desviar do caminho certo, que leva, em última análise, à liberdade do proletariado?

Os comunistas autoritários na Internacional frequentemente fazem uso desses argumentos, embora tenham desejado a coragem de declará-los tão livre e claramente. Elus procuraram esconder sua opinião real sob elogios demagógicos sobre a inteligência e onipotência do povo. Sempre fomos ils inimigues mais amargues dessa opinião. E estamos convencides de que, se a Internacional se dividisse em dois grupos – uma grande maioria e uma pequena minoria de toneladas, vinte ou mais pessoas – de tal forma que a maioria fosse cegamente convencida do sentido teórico e prático da minoria, o resultado seria a redução da Internacional a uma oligarquia – a pior forma de Estado. A minoria educada e capaz exigiria, junto com suas responsabilidades, os direitos de um corpo governante. E esse corpo governante se mostraria mais despótico do que uma autocracia declarada, porque estaria escondido sob uma demonstração de respeito servil pela vontade do povo. A minoria governaria por meio de resoluções, impostas ao povo e, posteriormente, chamadas de “a vontade do povo”. Dessa forma, a minoria educada se desenvolveria em um governo que, como todos os outros governos, se tornaria cada dia mais despótico e reacionário.

A Internacional só pode se tornar uma arma para libertar o povo, quando se liberta; quando não se permite ser dividida em dois grupos – uma grande maioria, a ferramenta cega de uma minoria educada. É por isso que seu primeiro dever é imprimir nas mentes de sues membres a ciência, a filosofia e a política do Socialismo.

Com a FACA entre os dentes: 2026 será o ano da virada organizada!

Saudações, companheiros e companheiras! Que 2026 nos encontre com as trincheiras abertas e a disposição de luta mais afiada do que nunca. Enquanto o sistema enterra seus mortos e agoniza em mais uma crise, nós, da Federação Anarquista Capixaba (FACA), saudamos o novo ano não com a expectativa por reformas ou mudanças vindas de cima, mas com a certeza de que a nossa liberdade será construída pelos nossos punhos, dia após dia. Que este seja o ano de aprofundarmos as raízes da autonomia no chão capixaba, transformando cada bairro, cada escola, cada local de trabalho em um território livre da exploração patronal e da tutela estatal. A miséria do capital não tira férias, e por isso nossas lutas também não terão descanso!

A história já nos mostrou que a rebeldia individual, por mais corajosa que seja, não é suficiente para derrubar os pilares da opressão. É por isso que a FACA reafirma seu compromisso inegociável com a organização séria e duradoura. Não somos um mero agrupamento espontâneo; somos uma organização forjada na luta de classes, estruturada para atacar o sistema em suas múltiplas frentes. Sabemos que, para liquidar o capitalismo e o Estado, é preciso disciplina, tática e visão estratégica. A construção do poder popular não se faz com improvisos, mas com a teimosia organizada de quem sabe que a vitória exige constância e dedicação total. Contra a fragmentação que o sistema nos impõe, respondemos com a força do coletivo!

Mas a luta não pode se limitar aos nossos quintais. O inimigo é global e organizado em redes de exploração e dominação, portanto, nossa resistência também deve ser internacionalista e coordenada. Por isso, a FACA está orgulhosamente filiada à União Anarquista Federalista (UAF), construindo a unidade tática e estratégica com nossos irmãos e irmãs de luta em todo o Brasil. E, através da UAF, nos somamos à Internacional de Federações Anarquistas (IFA), tecendo os fios da rebeldia que conectam os continentes. Do movimento operário na Europa às lutas territoriais na América Latina, passando pelas resistências antifascistas em todos os cantos, a IFA é a prova viva de que o anarquismo é uma força global, coordenada e preparada para dar o bote.

Que 2026 seja, portanto, o ano da virada. Um ano em que a coordenação entre as forças anarquistas se converta em ofensiva direta contra o capital. A FACA segue de pé, com a faca entre os dentes, pronta para sabotar os engrenagens da exploração e construir, desde já, o mundo novo no casco velho da sociedade. Convidamos todos os inconformados e inconformadas a abandonarem a ilusão da passividade e a se juntarem à luta organizada. A hora é agora, a força é nossa e a vitória será de quem não pede licença para ser livre! Avante que o amanhã não espera! Pela UAF e pela IFA, até a completa destruição deste mundo de misérias!

Federação Anarquista Capixaba – FACA