O recrudescimento da barbárie

Reproduzimos e difundimos o texto da camarada A. :

Enquanto o mundo assiste, estarrecido, aos recordes anuais de gastos militares – ultrapassando os 2,24 trilhões de dólares em 2022, segundo o SIPRI, com alta real de 3,7% –, o que vemos é a face mais crua do capital em sua fase terminal. Longe de qualquer necessidade de defesa legítima, essa escalada belicista, acelerada pela guerra na Ucrânia e pelas tensões no Oriente Médio, serve apenas para escorar um sistema em frangalhos. A militarização não é resposta a ameaças externas: é a válvula de escape para crises de superacumulação. Tanques, drones e mísseis são a forma mais violenta de escoar o excesso de capital que não consegue mais se reproduzir na esfera produtiva, desviando a fúria da classe trabalhadora para inimigos imaginários – enquanto o verdadeiro inimigo, o Estado corporativo, segue armado até os dentes.

Por trás de cada contrato bilionário de blindados ou sistemas antiaéreos, há uma teia de sangue e lucro: as gigantes da indústria bélica – Lockheed Martin, Raytheon, BAE Systems – tiveram seus lucros aumentados em mais de 25% no último ano, ao mesmo tempo que cortaram impostos e receberam subsídios estatais. O Estado, longe de ser um árbitro neutro, atua como o maior gestor de negócios da morte, garantindo que a “segurança nacional” seja um eufemismo para o assalto ao orçamento público. Enquanto hospitais fecham, moradias populares são sucateadas e a fome avança, o Banco Central Europeu e o Pentágono encontram verba para porta-aviões e ogivas. Não é defesa: é a lógica do capital vampirizando cada centavo do trabalho social para perpetuar sua dominação através do terror institucionalizado.

Mas a militarização mundial não corrói apenas nossos bolsos – ela estupra a própria possibilidade de vida comunitária. Cada soldado treinado para matar é um companheiro arrancado de suas redes de afeto; cada base militar instalada é um território roubado da agricultura camponesa ou dos biomas, como vemos na expansão da OTAN sobre reservas naturais na Romênia e na Polônia. Os dados são estarrecedores: o setor militar é responsável por cerca de 5,5% das emissões globais de gases de efeito estufa, mais que a aviação civil e o transporte marítimo somados. Exércitos não defendem o planeta: eles o preparam para a aniquilação. A chamada “paz armada” é a maior mentira do século XXI, pois sob o manto da dissuasão, o que se pratica é a normalização da violência como política – e a violência, como bem sabemos, sempre cai primeiro sobre os ombros dos mais pobres, negros, indígenas e periféricos.

Diante disso, a resposta anarquista não pode ser a reforma tímida ou o apelo à “desmilitarização negociada” dentro das câmaras do poder. A alternativa é a desobediência radical: recusa ao serviço militar, sabotagem às cadeias logísticas da morte, ocupação de fábricas de armamentos e construção de redes horizontais de autodefesa popular. Não queremos mais orçamentos participativos para polícias – queremos a extinção de toda hierarquia armada que se arvora em nos proteger. Que venham as assembleias de bairro, os mutirões de cuidado mútuo, as milícias populares desarmadas e organizadas por afinidade. Enquanto o capital e o Estado dançarem a valsa dos mísseis, nós cavaremos trincheiras na solidariedade – porque a única guerra justa é a que destruir, de uma vez por todas, a lógica de que a vida se mede pela capacidade de matar.

A., uma anarquista filiada à FACA.

Outro mundo é possível, em Venda Nova do Imigrante -ES

No dia 04 de junho de 2026, a Federação Anarquista Capixaba realizou uma roda de conversa na Praça Aldo Mineti, em Venda Nova do Imigrante/ES, com o tema “Outro mundo é possível”. A atividade reuniu jovens trabalhadorxs da cidade em um espaço aberto de diálogo, reflexão e troca de experiências sobre os desafios enfrentados no cotidiano e as possibilidades de transformação social.

Durante o encontro, uma companheira da Federação conduziu o debate, apresentando reflexões sobre as limitações impostas pelo capitalismo e pelo Estado na organização da vida em sociedade. A conversa buscou estimular uma análise crítica das estruturas que moldam as relações de trabalho, o acesso aos recursos e a participação popular nas decisões que afetam a coletividade.

Além da discussão teórica, a atividade contou com exercícios de imaginação coletiva, incentivando os presentes a pensarem em formas alternativas de organização social baseadas na solidariedade, no apoio mútuo, na autogestão e na cooperação. As contribuições dos participantes enriqueceram o debate, trazendo exemplos concretos de resistência, organização comunitária e construção de relações mais horizontais.

A roda de conversa reforçou a importância da construção de espaços de formação e encontro entre trabalhadorxs, fortalecendo vínculos e compartilhando perspectivas de transformação social. A atividade demonstrou o interesse dos participantes em refletir sobre alternativas ao modelo vigente e reafirmou o compromisso da FACA com a construção coletiva de caminhos para uma sociedade mais livre, justa e igualitária.

Federação Anarquista Capixaba – FACA
Filiada à União Anarquista Federalista – UAF

A crise é permanente, a única saída é horizontal

A crise do capital não é um acidente de percurso, uma fase passageira ou um soluço cíclico que se resolverá com ajustes bem-intencionados. Ela é a sua essência, o seu modo permanente de ser. O capitalismo vive da exploração ininterrupta dos corpos, dos territórios e dos afetos; sua “estabilidade” é apenas o silêncio tenso entre uma catástrofe social e outra. Cada dia de funcionamento normal desse sistema é um dia de crise para a maioria explorada — crise de moradia, de alimento, de saúde mental, de sentido. Reconhecer esse caráter crônico da devastação é o primeiro passo para abandonarmos a ilusão de remendos e assumirmos que a única resposta à altura é uma organização radicalmente nova, que não se deixe domesticar.

As fórmulas que nos ofereceram ao longo de mais de um século já deram todas as provas de seu fracasso. O partido de vanguarda, que prometia tomar o Estado e emancipar a classe, tornou-se sinônimo de burocracia autoritária, fuzilamento de dissidentes e capitalismo de Estado. O sindicalismo institucionalizado, com suas cúpulas negociadoras e fundos de pensão, aprendeu a gerir a miséria enquanto sufocava a revolta espontânea do chão de fábrica. A social-democracia, com seu paraíso de direitos temporários financiados pela espoliação do Sul Global, revelou-se uma trégua frágil, desmontada sem cerimônia assim que a acumulação exigiu. Todas essas receitas partem de um mesmo veneno: a concentração de poder, a delegação da luta a especialistas, a crença de que uns poucos podem decidir por todas. Já testamos a hierarquia sob todos os disfarces — e ela nos devolveu, invariavelmente, novas correntes.

A organização dxs exploradxs, para enfrentar uma guerra que não cessa, precisa ser tão viva e capilar quanto o próprio ataque. Precisa ser horizontal, onde cada voz tenha peso real e as decisões brotem das assembleias de base, e não dos gabinetes iluminados. Solidária, porque a competição que o capital nos injeta é a maior aliada da dominação; precisamos de apoio mútuo que faça da sobrevivência um ato coletivo de afeto e resistência. Autogestionária, para que a luta seja, desde já, a semente do mundo que queremos: sem patrões, sem gerentes da revolução, sem quem mande e quem obedeça. Essa não é uma utopia ingênua, mas a prática concreta de quem, nas ocupações de terra e de teto, nas cozinhas comunitárias, nos piquetes autônomos e nas redes de cuidado, já demonstra que outra arquitetura social é possível, aqui e agora, sob as ruínas do presente.

As demais promessas estão sepultadas. O socialismo de Estado ruiu no século XX, deixando um legado de gulags e desencanto. O reformismo eleitoral tornou-se gestor da crise, aplaudindo o desmatamento enquanto distribui migalhas. Resta-nos o anarquismo, não como um dogma do passado, mas como a única bússola que insiste em não trocar a liberdade pela eficiência do matadouro. Resta-nos a teia de cumplicidades que não se deixa capturar por CNPJ, ministério ou comitê central. Resta-nos a coragem de assumir que somos nós, xs precarizadxs, xs sem-terra, xs periféricxs, xs indesejadxs, quem podemos — e devemos — dirigir nossos próprios passos, sem pedir licença a qualquer instância que se coloque acima de nós. Tudo o que não é horizontal termina verticalmente sobre nossos corpos.

Por isso, o convite não é para aderir a uma legenda ou aplaudir um líder — é para arriscar. Experimentar a autogestão na sua ocupação, no seu bairro, no seu local de trabalho. Transformar a raiva em ação direta, sem esperar que um comitê aprove. Tecer alianças livres e federadas, que não procurem tomar o poder, mas dissolvê-lo em milhares de vínculos comunais. O capital não espera, a crise não dá trégua, e nós também não podemos esperar. Venha conosco construir um mundo novo no ventre do monstro: um mundo onde caibam todos os mundos, sem hierarquias, sem cercas, sem medo. Arrisque, experimente e venha conosco!

Federação Anarquista Capixaba – FACA

Atendimentos jurídicos da FACA em Junho de 2026

A Federação Anarquista Capixaba divulga sua agenda de atendimentos jurídicos e sindicais do mês de junho de 2026.

Todos os atendimentos serão realizados mediante agendamento no e-mail fedca@riseup.net.

DIAS E LOCAIS:

03/06/2026: Marataízes/ES

04/06/2026: Piúma/ES

10/06/2026: Laranja da Terra/ES

11/06/2026: Cachoeiro de Itapemirim/ES

19/06/2026: Iconha/ES

26/06/2026: Nova Venécia/ES.

Reforçamos: os atendimentos se darão mediante prévio agendamento no e-mail fedca@riseup.net.

Pela transformação social!

Pelo socialismo libertário!

Federação Anarquista Capixaba – FACA

Federada à União Anarquista Federalista – UAF

Guerra: máquina de produzir morte

Reproduzimos abaixo o texto de nossa companheira P., sobre os gastos militares e a guerra.

Dois vírgula quarenta e quatro trilhões de dólares. É com esse número estarrecedor, um monumento à insanidade humana, que o mundo escolheu escrever sua história recente. Dinheiro suficiente para curar, alimentar e educar cada pessoa neste planeta foi desviado para uma máquina de morte global. Ver esse dado não é apenas um choque para mim, como uma jovem anarquista; é a pesada confirmação de que as estruturas que nos governam são, em sua essência, máquinas de produzir sofrimento. Enquanto aumento salarial e justiça social, principalmente no Brasil, são tratados como utopias irresponsáveis, a indústria da morte encontra um mar de financiamento sem fundo. A conclusão é límpida e aterradora: o Estado e o Capital não são nossas ferramentas de proteção, mas os dois motores insaciáveis que nos arrastam para o abismo da guerra.

Falar do Estado, essa abstração que exige obediência e sacrifício, é desmascarar a raiz da guerra. Dizem-nos que ele existe para a nossa segurança, mas a sua própria lógica é a da competição incessante. Ele precisa de um “inimigo” externo para justificar o monopólio da violência interna. A “competição de grandes potências”, esse eufemismo cínico que move os EUA, a China e uma Rússia expansionista, não é um desvio de conduta, mas o DNA do Leviatã. A ressurreição da OTAN, com 23 de seus membros marchando obedientemente para a meta dos 2% do PIB, não é defesa; é um frenesi armamentista. Quando a Polônia se lança a gastar 4,2% de sua riqueza em tanques e mísseis, não celebra a segurança, celebra a submissão da vida humana à lógica necrófila da soberania nacional. A Alemanha, com seu fundo de 100 bilhões, não protege seu povo; arma-o para a próxima catástrofe. O Estado é uma entidade que, para afirmar sua própria existência, precisa do permanente espetáculo do medo e da fronteira armada.

Se o Estado é o cérebro paranoico que arquiteta a guerra, o Capital é o coração pulsante que bombeia sangue para os arsenais. O gasto de 2,44 trilhões de dólares não é um infeliz custo político; é o maior negócio da história. A Lockheed Martin, a Raytheon, os acionistas que nunca verão um campo de batalha, são os verdadeiros vencedores de cada conflito. A “economia de guerra” russa, operando 24 horas por dia, não é um ato de resiliência nacional, mas um banquete para uma oligarquia que lucra com a morte de soldados e civis. Cada míssil Patriot vendido, cada submarino nuclear do pacto AUKUS, é a conversão de recursos públicos — nosso trabalho, nossa educação, nossa saúde — em lucro privado. A guerra é o ápice do capitalismo de desastre, onde o sangue alheio lubrifica as engrenagens da acumulação infinita.

A sanha do Capital e do Estado é tão voraz que já não se contenta em dominar a terra e o mar; ela precisa engolir o infinito. O espaço sideral, a última fronteira da imaginação humana, está sendo militarizado e transformado em um novo território de disputa imperial. A Força Espacial dos EUA e os testes de armas antissatélite da China e da Rússia não representam ousadia tecnológica; são a expansão da lógica da propriedade privada e do controle estatal para fora da atmosfera. O ciberespaço, que poderia ser um bem comum de conexão e conhecimento livre, foi sequestrado por comandos cibernéticos e exércitos de hackers. A Inteligência Artificial, que poderia nos libertar do trabalho alienado, está sendo treinada para guiar enxames de drones autônomos. A mensagem é clara: onde houver um átomo de matéria ou um impulso digital, o Estado e o Capital tentarão cercá-lo, explorá-lo e, se possível, destruí-lo em nome do poder.

E para que essa orgia de destruição continue sem obstáculos, o arcabouço jurídico que fingia nos proteger teve que ser demolido. O colapso do tratado INF e a suspensão do New START não são acidentes diplomáticos; são uma confissão. O Estado-nação, quando confrontado com a própria lógica, sempre rasgará os pedaços de papel que limitam seu poder de matar. Esses tratados, assinados por elites que jamais enfrentarão as baionetas, serviam apenas como válvulas de escape para gerenciar a tensão. Ao serem rasgados, revelam a verdade nua e crua: não há reforma possível da máquina de guerra interestatal. Ela é, por definição, uma estrutura anárquica (no sentido hobbesiano) de competição violenta, que só podemos responder com uma anarquia de cooperação e apoio mútuo.

Esta militarização total não é apenas um evento externo; ela contamina a nossa subjetividade e o tecido social. Ela nos disciplina através do medo e da escassez forjada. A fábrica social nos ensina que a obediência a uma bandeira é virtude, e que questionar a indústria da morte é falta de patriotismo. Enquanto isso, a solidariedade de classe, a única força real que pode cruzar fronteças, é dilacerada por narrativas nacionais que nos fazem odiar um proletário vestindo um uniforme de outra cor. Cada dólar gasto em um míssil hipersônico é um soco na cara do apoio mútuo, do cuidado comunitário e da ajuda humanitária que brotam espontaneamente entre os povos quando os Estados desmoronam.

Por isso, nossa resposta não pode ser um apelo por um “império benevolente” ou uma “guerra justa”. Nossa denúncia é de raiz: a guerra não é uma falha do sistema, é a sua mais pura manifestação. Enquanto existirem fronteiras para defender e lucros para extrair da pilhagem, o Estado e o Capital produzirão novos ucranianos, novos palestinos, novas vítimas para as estatísticas do SIPRI. A nossa trincheira é contra a própria ideia de trincheira. Lutamos não para gerenciar a morte, mas para construir a vida em sua plenitude, em uma federação livre de comunidades autogeridas, onde os 2,44 trilhões de dólares não financiem a aniquilação da humanidade, mas, sim, o seu florescimento. A única guerra que defendemos é a guerra social contra os verdadeiros inimigos da paz: o patrão, o general e o político que os serve.

P., uma anarquista federada à FACA.

E a bandeira anarquista tremulou neste no 1º de Maio de 2026!

Enquanto outros se perguntavam o que fazer no 1º de Maio de 2026, a FACA, em conjunto com a União Anarquista Federalista (UAF) propôs, e a luta aconteceu. Do sul ao norte do Estado, a bandeira preta e vermelha voltou a se erguer onde o sistema gosta de pisar: nos bairros operários, nas fábricas silenciadas pelo medo, nos muros cinzentos da exploração. Mas foi em Cachoeiro de Itapemirim que o chão tremeu de novo. Ali, na terra onde a história não morreu, o anarquismo mostrou que ainda respira fundo – com colagens, panfletos e rodas de conversa que despertaram a classe trabalhadora do torpor eletrônico.

Em Cachoeiro, a bandeira preta e vermelha tremulou novamente. Não como peça de museu, mas como fogo vivo. A FACA esteve lá para lembrar que o fascismo avança, que o Congresso cospe ódio, que as milícias urbanas e os pastores armados querem nos dobrar. Mas a resposta foi a mesma de sempre: organização de baixo para cima, autonomia, rebeldia. Homens e mulheres trabalhadores de Cachoeiro pararam, leram, discutiram. A escala 6×1 foi denunciada. O assédio moral, a inteligência artificial que descarta gente como peça defeituosa, os robôs que roubam o suor – tudo isso foi nomeado, escrachado, enfrentado. A FACA não fala sozinha: ela costura a voz de quem vive do braço.

E enquanto a cidade de Cachoeiro de Itapemirim via a bandeira dupla – preta como a fome que o capital espalha, vermelha como o sangue derramado em pelos Mártires de Chicago – a FACA espalhou sementes também em Vitória, Vargem Alta, Alegre, Piúma, Marataízes, Itapemirim. Mas é no sul capixaba que a chama pegou com mais força, porque lá o povo sabe que a guerra de classes não acabou. Não acabou em 1936, não acabou na ditadura, não acabou agora. A bandeira que tremulou em Cachoeiro é a mesma que tremulará nas próximas batalhas. A FACA não pede licença: ela entra pela porta da fábrica, pelo porto da escola, pelo beco da periferia.

E o 1º de Maio de 2026 foi só o aquecimento. A Federação Anarquista Capixaba está nas ruas, mas precisa de mais braços, mais mentes, mais fúria organizada. Se você quer ver a bandeira preta e vermelha tremulando em cada esquina, se está cansado de patrão, pastor, juiz e robô decidindo sua vida, chega junto.

Filie-se à FACA. Venha construir conosco a única força que pode parar o capital: a classe trabalhadora em pé, armada da sua própria consciência e organização.

Procure a Federação Anarquista Capixaba.

A luta te espera!

Federação Anarquista Capixaba – FACA

Filiada à União Anarquista Federalista – UAF

Vida precária, punho erguido: organizar ou morrer

Reproduzimos o texto publicado pelo camarada Liberto Herrera em seu website, por ocasião do 1º de Maio de 2026.

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Chega.

Chega de esperar o salvador de paletó, o sindicato de mãos dadas com o patrão, o político que vai nos dar a mão enquanto a outra nos apunhala pelas costas. Chega de assistir, de lamentar, de compartilhar artigo de opinião e achar que isso é luta. A passividade é o nosso verdadeiro algoz. Ela é a saliva que lubrifica a guilhotina.

Olhem ao redor. A precarização não é acidente, é projeto. Seu salário que não dá pra carne, seu aluguel que come três quartos do mês, seu tempo de vida trocado por migalhas e um atestado de burnout – tudo arquitetado. As guerras não são loucura de poucos: são negócio. Cada bomba que explode longe é financiada pelos mesmos bancos que te negam crédito, pelos mesmos fundos que compram sua dívida, pelos mesmos governos que nos chamam de “ameaça” quando pegamos numa bandeira negra.

E a decadência burguesa? Olhem para o espetáculo. Celebridades vendendo ansiedade como estilo de vida, influenciadores pregando resiliência pra quem não tem o que comer, uma cultura que transforma desespero em entretenimento. O inimigo não está apenas na fábrica, no quartel ou no palácio. Ele está dentro da nossa cabeça quando acreditamos que “não tem jeito”, que “é assim mesmo”, que o máximo que podemos fazer é votar e rezar.

Mentira.

A resposta não virá de cima. Nunca veio. Virá de nós, dos nossos punhos suados, das nossas costas doloridas, das nossas noites em claro costurando lona para barricada ou imprimindo panfleto na gráfica do companheiro que arrisca o couro. A resposta é luta. E luta sem organização é espasmo.

Por isso, para o Primeiro de Maio de 2026, não quero ver bandeira institucional hasteada por burocrata de gravata. Quero ver assembleia no bairro, piquete na porta do armazém que explora, greve geral começando às 6h da manhã. Quero ver o trabalho parado, a produção interrompida, o silêncio ensurdecedor das máquinas que só se calam quando nós mandamos. Quero ver os precarizados – entregadores, terceirizados, intermitentes, os “sem-direitos” – descobrindo que o poder está na rua, não no aplicativo.

Organização não é burocracia. É reconhecer o companheiro do lado, saber em quem confiar quando o gás lacrimogêneo descer. É ter um plano, um fundo de resistência, uma gráfica, um telégrafo humano. É aprender com os que vieram antes – os anarquistas que tombaram nas fábricas, nos campos, nas guerras civis – e aplicar ao nosso tempo. O inimigo tem inteligência artificial e satélite. Nós temos o que ele nunca terá: a certeza de que a terra é de quem nela põe os pés e o suor.

1º de Maio de 2026: vamos parar o mundo. Não com pedido, não com abaixo-assinado, não com marcha light autorizada pela prefeitura. Vamos parar com ação direta. O dia em que nenhum caminhão circular, nenhum lixo for coletado, nenhuma aula for dada, nenhum prato for lavado no restaurante. O dia em que a burguesia olhar pela janela e ouvir o silêncio da produção parada – o barulho mais aterrorizante que existe pra quem vive de explorar.

A precarização da vida só vence quando aceitamos migalhas em troca de sossego. As guerras só continuam enquanto a classe trabalhadora se mata entre si por bandeirinhas. A decadência só é suportável enquanto nos anestesiamos com consumo e futilidade.

Nosso grito não é por “inclusão” no sistema. Nosso grito é pelo fim do sistema.

Organizar ou ser aniquilado. Lutar ou apodrecer.

Dia 1º de Maio de 2026, a terra treme. E não será terremoto. Serão nossas botas no asfalto.

Vidas precárias, nenhum minuto a mais de passividade. Às ruas, companheiros. O futuro não espera – ele se toma.

Liberto Herrera.

Fonte: https://libertoherrera.noblogs.org/2026/04/27/vida-precaria-punho-erguido-organizar-ou-morrer/

Nenhum direito a menos! Mais por conquistar…

A Federação Anarquista Capixaba divulga amplamente o chamado da UAF para este 1º de Maio de 2026, convidando a todxs a participar e difundir!

Pagando aluguel, energia, alimentação, água, gás e transporte não sobra pra saúde nem para doença, não sobra para lazer nem para descanso: de Norte a Sul, do litoral ao sertão, o salário acaba antes do fim do mês.

O empreendedorismo é a ilusão vendida como solução de hoje à falta de trabalho com CLT ou Estatutário. Nos incentivam a criar, produzir, oferecer serviços, mentindo que seremos patrões de nós mesmos. A verdade verdadeira é que os BANCOS e o ESTADO brasileiros financiam as grandes empresas nacionais e multinacionais, na indústria e agronegócio com “juros” de compadres e aos pequenos sobra sua força de trabalho e a sorte.

Lutamos e conquistamos, no início do século XX, no Brasil a jornada de 8 horas de trabalho. Hoje, trabalhamos mais horas, ganhamos menos e a propaganda nas redes sociais, rádios, televisão é que hoje temos mais liberdade de usar nosso tempo. Mas, como posso usar “meu” tempo se tenho de trabalhar 12 horas e não me sobra dinheiro? E se eu ficar doente? Índigena Galdino queimado vivo nas ruas de Brasília. Adolescentes classe média promovem estupro coletivo no Rio de Janeiro. Criança preta morta indo para aula em Belém. Mulher assassinada em Cuiabá pelo ex-marido.

Cachorro Orelha assassinado a pauladas numa praia da elite Catarinense. Chacina do Cabula executada por policiais militares.Pobreza, impunidade, ausência de educação, propaganda do ódio, superexploração do trabalhador e da trabalhadora?

Nossos sindicatos estão tomados por partidos políticos de direita, esquerda e fascistas. O fascista Bolsonaro e sua política negacionista hipócrita promoveu a morte de mais de 700 mil brasileiros e brasileiras. O Congresso Nacional e o governo Lula 3 mantém a militarização da sociedade crescente com ESCOLAS MILITARIZADAS, GUARDAS MUNICIPAIS MILITARIZADAS, MILITARIZAÇÃO DE TERRITÓRIOS INDÍGENAS E QUILOMBOLAS, AUMENTO DE GASTOS MILITARES, INVESTIMENTO EM INDÚSTRIAS ARMAMENTISTA MILITAR, REDUÇÃO DOS INVESTIMENTOS EM EDUCAÇÃO E SAÚDE. O sindicato é uma ferramenta. É nossa ferramenta que foi roubada.

A UAF é uma associação anarquista federalista de coletivos e indivíduos que trabalha para construir e firmar no Brasil alternativas de vida, de organização social e econômica justa e igualitária fora, paralela e para além do capitalismo, entendendo, vivendo e praticando a unidade de justiça e liberdade, a unidade de pessoa e natureza pelo bem viver. Oferecemos nossa mensagem à todas trabalhadoras e trabalhadores neste Primeiro de Maio de 2026 com o propósito de juntos defendermos nossos direitos e construirmos um vida melhor, mais digna, mais justa, com mais liberdade.

SAUDAÇÕES TRABALHADORA E TRABALHADOR Brasileiros!

União Anarquista Federalista – UAF

Filiada à Internacional de Federações Anarquistas – IFA

uafbr.noblogs.org

MANIFESTO DO PRIMEIRO DE MAIO DE 2026 – FACA

Trabalhadorx, exploradx, rebelde sem causa ou com causa: é hora de ocupar as ruas e parar a engrenagem!

A Federação Anarquista Capixaba (FACA) convoca TODXS os militantes da luta direta, os insubmissos, os cansados de pedir licença e os que sabem que a liberdade não se implora — se conquista com a ação direta e a solidariedade de classe.

Primeiro de Maio de 2026. Não será mais um dia de festa patrocinada pelos patrões e pelo Estado. Não será um feriado para descanso vigiado ou para churrasco alienado. Este Primeiro de Maio será o grito na garganta de quem produz tudo e não possui nada. Será o dia em que pararemos as fábricas, os transportes, os serviços, as universidades, as escolas e as cozinhas onde se cozinha a obediência.

A exploração não tira férias. Por que nós tiraríamos?

Enquanto o capital acumula lucros sobre nossas costas dobradas, enquanto a fome e o despejo viram rotina, enquanto a polícia mata e o judiciário absolve — nossa resposta será a desobediência organizada. Chega de migalhas. Chega de reformas que não reformam nada. Chega de esperar o “momento certo” que nunca chega.

Nossa arma é a organização de baixo para cima. Comissões de fábrica, núcleos de bairro, coletivos estudantis, grupos de apoio mútuo, ocupações de terras e moradias. Contra o sindicalismo de pelegos, contra o Estado que nos oprime, contra o patrão que nos suga até o osso — a greve geral! O boicote! A sabotagem pacífica à lógica do lucro! A autogestão!

Neste 1º de Maio, a FACA chama todxs a:

– PARAR o trabalho. Se puder, pare. Se não puder, atrase, atrapalhe, desconecte. Toda engrenagem emperrada é uma vitória.
– OCUPAR as ruas, as praças, as portas das empresas. Sem pedir autorização. Sem esperar o sinal verde de quem nunca nos deu liberdade.
– ORGANIZAR assembleias populares nos locais de luta. Decidir coletivamente os próximos passos: da paralisia à paralisação, da paralisação à ocupação, da ocupação à autogestão.
– EXIGIR nada de quem nada nos deu. Tomaremos o que é nosso: o tempo, o pão, a terra, o teto, a alegria.

Abaixo o sistema que transforma nossa força vital em mercadoria!
Abaixo o Estado, o exército, a polícia, os juízes — todos os guardiões da propriedade privada!
Viva a luta anarquista! Viva o Primeiro de Maio como dia de insurreição cotidiana!

Nenhum direito sem luta. Nenhuma luta sem risco. Nenhum futuro sem rebeldia.

Venha com sua bandeira negra e vermelha. Venha com sua máscara, com sua coragem e com seus punhos cerrados. Venha com fome de mudança radical.

1º de Maio de 2026 — em cada cidade do Espírito Santo, em cada esquina, em cada local de trabalho: a FACA estará. E você?

Organize-se agora. Faça contato com a Federação e se informe!

A insurreição é um hábito que precisamos recuperar.

Federação Anarquista Capixaba (FACA) – Nenhum deus, nenhum patrão, nenhum Estado, nenhuma fronteira.
Pela vida digna HOJE.

E-mail: fedca@riseup.net

Federação Anarquista Capixaba – FACA
Federada à União Anarquista Federalista – UAF