Atendimentos jurídicos da FACA em Junho de 2026

A Federação Anarquista Capixaba divulga sua agenda de atendimentos jurídicos e sindicais do mês de junho de 2026.

Todos os atendimentos serão realizados mediante agendamento no e-mail fedca@riseup.net.

DIAS E LOCAIS:

03/06/2026: Marataízes/ES

04/06/2026: Piúma/ES

10/06/2026: Laranja da Terra/ES

11/06/2026: Cachoeiro de Itapemirim/ES

19/06/2026: Iconha/ES

26/06/2026: Nova Venécia/ES.

Reforçamos: os atendimentos se darão mediante prévio agendamento no e-mail fedca@riseup.net.

Pela transformação social!

Pelo socialismo libertário!

Federação Anarquista Capixaba – FACA

Federada à União Anarquista Federalista – UAF

Live da UAF: 16/05/2026

A FACA reproduz e dissemina a atividade da UAF, convidando todxs compas para se somarem ao evento!

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Não se engane: a famigerada escala 6×1 não é apenas um “modelo de jornada”, ela é a face mais brutal e cruel da exploração capitalista no mundo do trabalho moderno. Ela representa o sequestro da nossa vida, a alienação da nossa existência e o roubo sistemático do nosso tempo em troca de migalhas para sobreviver. É a materialização da lógica perversa de que o trabalhador existe apenas para gerar lucro, enquanto seu corpo adoece, sua mente se esgota e seus sonhos são esmagados sob o peso da produção insana. Por isso, não podemos tratar isso como um simples debate técnico ou uma pauta reformista qualquer.

O Brasil e o mundo do trabalho moderno estão imersos em uma crise profunda de humanidade, onde o “tempo é dinheiro” se converteu em um decreto de morte social para a classe trabalhadora. A escala 6×1, em especial, é o símbolo máximo da opressão patronal: é a engrenagem que gira sem descanso para garantir que o patrão acumule riquezas enquanto o operário só acumula cansaço e dívidas. A imagem do relógio e do trabalhador em silhueta na divulgação não é um acaso estético; é um grito visual que denuncia uma vida vivida em função do serviço, onde o “descanso” é apenas um curto intervalo para recarregar as baterias para a próxima rodada de exploração. Esta não é uma discussão sobre leis trabalhistas, é uma discussão sobre a luta de classes.

Chega de conciliação, chega de aceitar migalhas como vitórias. A União Anarquista Federalista convida todos e todas para uma reflexão que é, antes de tudo, um ato de resistência. Não vamos falar sobre como “melhorar” o capitalismo ou como “humanizar” a exploração. Vamos discutir a lógica perversa do trabalho assalariado e como podemos nos libertar dessa jaula. É preciso romper com a passividade, organizar a resistência nos locais de trabalho e construir as bases para uma vida livre, onde o trabalho sirva às necessidades humanas e não ao lucro de meia dúzia de parasitas. Essa live é um chamado às armas, um ponto de encontro para a construção da consciência e da autogestão de classe.

A luta por uma existência digna não espera. Marque na sua agenda e prepare seu espírito combativo: a LIVE DA UAF acontecerá no dia 16/05/2026, às 15 horas, pelo canal do YouTube @uaf-br. Não se trata de um evento passivo, mas de uma trincheira de debates e da construção coletiva de um futuro sem patrões, sem jornadas que adoecem e sem as correntes invisíveis do trabalho moderno. Traga sua indignação, traga sua força, mas acima de tudo, traga sua vontade de mudar o mundo. Pela nossa liberdade e contra toda opressão do trabalho!

União Anarquista Federalista – UAF
Filiada à Internacional de Federações Anarquistas – IFA

Guerra: máquina de produzir morte

Reproduzimos abaixo o texto de nossa companheira P., sobre os gastos militares e a guerra.

Dois vírgula quarenta e quatro trilhões de dólares. É com esse número estarrecedor, um monumento à insanidade humana, que o mundo escolheu escrever sua história recente. Dinheiro suficiente para curar, alimentar e educar cada pessoa neste planeta foi desviado para uma máquina de morte global. Ver esse dado não é apenas um choque para mim, como uma jovem anarquista; é a pesada confirmação de que as estruturas que nos governam são, em sua essência, máquinas de produzir sofrimento. Enquanto aumento salarial e justiça social, principalmente no Brasil, são tratados como utopias irresponsáveis, a indústria da morte encontra um mar de financiamento sem fundo. A conclusão é límpida e aterradora: o Estado e o Capital não são nossas ferramentas de proteção, mas os dois motores insaciáveis que nos arrastam para o abismo da guerra.

Falar do Estado, essa abstração que exige obediência e sacrifício, é desmascarar a raiz da guerra. Dizem-nos que ele existe para a nossa segurança, mas a sua própria lógica é a da competição incessante. Ele precisa de um “inimigo” externo para justificar o monopólio da violência interna. A “competição de grandes potências”, esse eufemismo cínico que move os EUA, a China e uma Rússia expansionista, não é um desvio de conduta, mas o DNA do Leviatã. A ressurreição da OTAN, com 23 de seus membros marchando obedientemente para a meta dos 2% do PIB, não é defesa; é um frenesi armamentista. Quando a Polônia se lança a gastar 4,2% de sua riqueza em tanques e mísseis, não celebra a segurança, celebra a submissão da vida humana à lógica necrófila da soberania nacional. A Alemanha, com seu fundo de 100 bilhões, não protege seu povo; arma-o para a próxima catástrofe. O Estado é uma entidade que, para afirmar sua própria existência, precisa do permanente espetáculo do medo e da fronteira armada.

Se o Estado é o cérebro paranoico que arquiteta a guerra, o Capital é o coração pulsante que bombeia sangue para os arsenais. O gasto de 2,44 trilhões de dólares não é um infeliz custo político; é o maior negócio da história. A Lockheed Martin, a Raytheon, os acionistas que nunca verão um campo de batalha, são os verdadeiros vencedores de cada conflito. A “economia de guerra” russa, operando 24 horas por dia, não é um ato de resiliência nacional, mas um banquete para uma oligarquia que lucra com a morte de soldados e civis. Cada míssil Patriot vendido, cada submarino nuclear do pacto AUKUS, é a conversão de recursos públicos — nosso trabalho, nossa educação, nossa saúde — em lucro privado. A guerra é o ápice do capitalismo de desastre, onde o sangue alheio lubrifica as engrenagens da acumulação infinita.

A sanha do Capital e do Estado é tão voraz que já não se contenta em dominar a terra e o mar; ela precisa engolir o infinito. O espaço sideral, a última fronteira da imaginação humana, está sendo militarizado e transformado em um novo território de disputa imperial. A Força Espacial dos EUA e os testes de armas antissatélite da China e da Rússia não representam ousadia tecnológica; são a expansão da lógica da propriedade privada e do controle estatal para fora da atmosfera. O ciberespaço, que poderia ser um bem comum de conexão e conhecimento livre, foi sequestrado por comandos cibernéticos e exércitos de hackers. A Inteligência Artificial, que poderia nos libertar do trabalho alienado, está sendo treinada para guiar enxames de drones autônomos. A mensagem é clara: onde houver um átomo de matéria ou um impulso digital, o Estado e o Capital tentarão cercá-lo, explorá-lo e, se possível, destruí-lo em nome do poder.

E para que essa orgia de destruição continue sem obstáculos, o arcabouço jurídico que fingia nos proteger teve que ser demolido. O colapso do tratado INF e a suspensão do New START não são acidentes diplomáticos; são uma confissão. O Estado-nação, quando confrontado com a própria lógica, sempre rasgará os pedaços de papel que limitam seu poder de matar. Esses tratados, assinados por elites que jamais enfrentarão as baionetas, serviam apenas como válvulas de escape para gerenciar a tensão. Ao serem rasgados, revelam a verdade nua e crua: não há reforma possível da máquina de guerra interestatal. Ela é, por definição, uma estrutura anárquica (no sentido hobbesiano) de competição violenta, que só podemos responder com uma anarquia de cooperação e apoio mútuo.

Esta militarização total não é apenas um evento externo; ela contamina a nossa subjetividade e o tecido social. Ela nos disciplina através do medo e da escassez forjada. A fábrica social nos ensina que a obediência a uma bandeira é virtude, e que questionar a indústria da morte é falta de patriotismo. Enquanto isso, a solidariedade de classe, a única força real que pode cruzar fronteças, é dilacerada por narrativas nacionais que nos fazem odiar um proletário vestindo um uniforme de outra cor. Cada dólar gasto em um míssil hipersônico é um soco na cara do apoio mútuo, do cuidado comunitário e da ajuda humanitária que brotam espontaneamente entre os povos quando os Estados desmoronam.

Por isso, nossa resposta não pode ser um apelo por um “império benevolente” ou uma “guerra justa”. Nossa denúncia é de raiz: a guerra não é uma falha do sistema, é a sua mais pura manifestação. Enquanto existirem fronteiras para defender e lucros para extrair da pilhagem, o Estado e o Capital produzirão novos ucranianos, novos palestinos, novas vítimas para as estatísticas do SIPRI. A nossa trincheira é contra a própria ideia de trincheira. Lutamos não para gerenciar a morte, mas para construir a vida em sua plenitude, em uma federação livre de comunidades autogeridas, onde os 2,44 trilhões de dólares não financiem a aniquilação da humanidade, mas, sim, o seu florescimento. A única guerra que defendemos é a guerra social contra os verdadeiros inimigos da paz: o patrão, o general e o político que os serve.

P., uma anarquista federada à FACA.

E a bandeira anarquista tremulou neste no 1º de Maio de 2026!

Enquanto outros se perguntavam o que fazer no 1º de Maio de 2026, a FACA, em conjunto com a União Anarquista Federalista (UAF) propôs, e a luta aconteceu. Do sul ao norte do Estado, a bandeira preta e vermelha voltou a se erguer onde o sistema gosta de pisar: nos bairros operários, nas fábricas silenciadas pelo medo, nos muros cinzentos da exploração. Mas foi em Cachoeiro de Itapemirim que o chão tremeu de novo. Ali, na terra onde a história não morreu, o anarquismo mostrou que ainda respira fundo – com colagens, panfletos e rodas de conversa que despertaram a classe trabalhadora do torpor eletrônico.

Em Cachoeiro, a bandeira preta e vermelha tremulou novamente. Não como peça de museu, mas como fogo vivo. A FACA esteve lá para lembrar que o fascismo avança, que o Congresso cospe ódio, que as milícias urbanas e os pastores armados querem nos dobrar. Mas a resposta foi a mesma de sempre: organização de baixo para cima, autonomia, rebeldia. Homens e mulheres trabalhadores de Cachoeiro pararam, leram, discutiram. A escala 6×1 foi denunciada. O assédio moral, a inteligência artificial que descarta gente como peça defeituosa, os robôs que roubam o suor – tudo isso foi nomeado, escrachado, enfrentado. A FACA não fala sozinha: ela costura a voz de quem vive do braço.

E enquanto a cidade de Cachoeiro de Itapemirim via a bandeira dupla – preta como a fome que o capital espalha, vermelha como o sangue derramado em pelos Mártires de Chicago – a FACA espalhou sementes também em Vitória, Vargem Alta, Alegre, Piúma, Marataízes, Itapemirim. Mas é no sul capixaba que a chama pegou com mais força, porque lá o povo sabe que a guerra de classes não acabou. Não acabou em 1936, não acabou na ditadura, não acabou agora. A bandeira que tremulou em Cachoeiro é a mesma que tremulará nas próximas batalhas. A FACA não pede licença: ela entra pela porta da fábrica, pelo porto da escola, pelo beco da periferia.

E o 1º de Maio de 2026 foi só o aquecimento. A Federação Anarquista Capixaba está nas ruas, mas precisa de mais braços, mais mentes, mais fúria organizada. Se você quer ver a bandeira preta e vermelha tremulando em cada esquina, se está cansado de patrão, pastor, juiz e robô decidindo sua vida, chega junto.

Filie-se à FACA. Venha construir conosco a única força que pode parar o capital: a classe trabalhadora em pé, armada da sua própria consciência e organização.

Procure a Federação Anarquista Capixaba.

A luta te espera!

Federação Anarquista Capixaba – FACA

Filiada à União Anarquista Federalista – UAF

1M-2026: A gente ainda nem começou.

Reproduzimos o texto publicado pela União Anarquista Federalista (UAF) em seu site https://uafbr.noblogs.org/ acerca do Primeiro de Maio de 2026:

Por consenso, toda a UAF se articulou em torno da iniciativa proposta pela Federação Anarquista Capixaba (FACA) de realizar uma semana de propaganda e luta com a classe trabalhadora no nosso imenso território brasileiro neste primeiro de maio de 2026.

Procedemos a colagens, panfletagem, rodas de conversa. Relembramos a história do primeiro de maio, destacamos a atual destruição de postos de trabalho, a hiperexploração, o aniquilamento de parte da mão de obra por máquinas, robôs e inteligência artificial. Denunciamos firmemente a continuidade e avanço do fascismo no Brasil. Conversamos sobre a situação sindical e a necessidade de termos associações de trabalhadores que atendam aos interesses dos trabalhadores e não de elites sindicais ou partidos políticos.

Fruto da luta histórica dos trabalhadores e trabalhadoras, destacamos a necessidade da redução da escala 6×1, a redução da jornada de trabalho, conquista de melhores salários e combate contra o assédio moral – hoje uma das ferramentas mais utilizadas para explorar e controlar a classe trabalhadora – seja no setor privado, seja no setor público.

Denunciamos o ódio difuso no Congresso Nacional, no Executivo e Judiciário brasileiros, nas escolas, nas redes sociais, associado ao legado autoritário e à tortura da Ditadura Militar no Brasil, que se soma à crescente militarização da sociedade. Notável na multiplicação de milícias paramilitares urbanas, do agronegócio, de evangélicas, neonazistas e narcotráfico. Tudo isso divulgado impunemente e massivamente pelas empresas de tecnologia. Apoiadoras do culto ao ódio, seja este transmitindo a tortura de animais ou a agressão a moradores de rua.

Nossa ginástica neste 1M-2026, realizada por mulheres e homens trabalhadores, levou esta mensagem de reflexão e ação ao Espírito Santo nas cidades de Vitória, Vargem Alta, Alegre, Piúma, Marataízes, Itapemirim, Cachoeiro de Itapemirim; em Minas Gerais nas cidades de Contagem e Lajinha; no Rio de Janeiro nas cidades de Bom Jesus do Itabapoana e Campos dos Goytacazes; e na Bahia para Mata de São João e Salvador. (Seguem algumas fotos abaixo).

A gente ainda nem começou. Pois não teve início em 01 de maio de 2026 e não terminou em 19 de julho de 1936. Continuaremos trabalhando para criar ferramentas que fortaleçam a classe trabalhadora para construir a libertação da superexploração capitalista, para que a educação promova a fraternidade e que a sociedade conquiste a igualdade.

Sem as pessoas trabalhadoras, sem a classe trabalhadora, a vida no planeta seguirá ameaçada em benefício das elites capitalistas.

União Anarquista Federalista
02 de maio de 2026.