Vida precária, punho erguido: organizar ou morrer

Reproduzimos o texto publicado pelo camarada Liberto Herrera em seu website, por ocasião do 1º de Maio de 2026.

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Chega.

Chega de esperar o salvador de paletó, o sindicato de mãos dadas com o patrão, o político que vai nos dar a mão enquanto a outra nos apunhala pelas costas. Chega de assistir, de lamentar, de compartilhar artigo de opinião e achar que isso é luta. A passividade é o nosso verdadeiro algoz. Ela é a saliva que lubrifica a guilhotina.

Olhem ao redor. A precarização não é acidente, é projeto. Seu salário que não dá pra carne, seu aluguel que come três quartos do mês, seu tempo de vida trocado por migalhas e um atestado de burnout – tudo arquitetado. As guerras não são loucura de poucos: são negócio. Cada bomba que explode longe é financiada pelos mesmos bancos que te negam crédito, pelos mesmos fundos que compram sua dívida, pelos mesmos governos que nos chamam de “ameaça” quando pegamos numa bandeira negra.

E a decadência burguesa? Olhem para o espetáculo. Celebridades vendendo ansiedade como estilo de vida, influenciadores pregando resiliência pra quem não tem o que comer, uma cultura que transforma desespero em entretenimento. O inimigo não está apenas na fábrica, no quartel ou no palácio. Ele está dentro da nossa cabeça quando acreditamos que “não tem jeito”, que “é assim mesmo”, que o máximo que podemos fazer é votar e rezar.

Mentira.

A resposta não virá de cima. Nunca veio. Virá de nós, dos nossos punhos suados, das nossas costas doloridas, das nossas noites em claro costurando lona para barricada ou imprimindo panfleto na gráfica do companheiro que arrisca o couro. A resposta é luta. E luta sem organização é espasmo.

Por isso, para o Primeiro de Maio de 2026, não quero ver bandeira institucional hasteada por burocrata de gravata. Quero ver assembleia no bairro, piquete na porta do armazém que explora, greve geral começando às 6h da manhã. Quero ver o trabalho parado, a produção interrompida, o silêncio ensurdecedor das máquinas que só se calam quando nós mandamos. Quero ver os precarizados – entregadores, terceirizados, intermitentes, os “sem-direitos” – descobrindo que o poder está na rua, não no aplicativo.

Organização não é burocracia. É reconhecer o companheiro do lado, saber em quem confiar quando o gás lacrimogêneo descer. É ter um plano, um fundo de resistência, uma gráfica, um telégrafo humano. É aprender com os que vieram antes – os anarquistas que tombaram nas fábricas, nos campos, nas guerras civis – e aplicar ao nosso tempo. O inimigo tem inteligência artificial e satélite. Nós temos o que ele nunca terá: a certeza de que a terra é de quem nela põe os pés e o suor.

1º de Maio de 2026: vamos parar o mundo. Não com pedido, não com abaixo-assinado, não com marcha light autorizada pela prefeitura. Vamos parar com ação direta. O dia em que nenhum caminhão circular, nenhum lixo for coletado, nenhuma aula for dada, nenhum prato for lavado no restaurante. O dia em que a burguesia olhar pela janela e ouvir o silêncio da produção parada – o barulho mais aterrorizante que existe pra quem vive de explorar.

A precarização da vida só vence quando aceitamos migalhas em troca de sossego. As guerras só continuam enquanto a classe trabalhadora se mata entre si por bandeirinhas. A decadência só é suportável enquanto nos anestesiamos com consumo e futilidade.

Nosso grito não é por “inclusão” no sistema. Nosso grito é pelo fim do sistema.

Organizar ou ser aniquilado. Lutar ou apodrecer.

Dia 1º de Maio de 2026, a terra treme. E não será terremoto. Serão nossas botas no asfalto.

Vidas precárias, nenhum minuto a mais de passividade. Às ruas, companheiros. O futuro não espera – ele se toma.

Liberto Herrera.

Fonte: https://libertoherrera.noblogs.org/2026/04/27/vida-precaria-punho-erguido-organizar-ou-morrer/

Nenhum direito a menos! Mais por conquistar…

A Federação Anarquista Capixaba divulga amplamente o chamado da UAF para este 1º de Maio de 2026, convidando a todxs a participar e difundir!

Pagando aluguel, energia, alimentação, água, gás e transporte não sobra pra saúde nem para doença, não sobra para lazer nem para descanso: de Norte a Sul, do litoral ao sertão, o salário acaba antes do fim do mês.

O empreendedorismo é a ilusão vendida como solução de hoje à falta de trabalho com CLT ou Estatutário. Nos incentivam a criar, produzir, oferecer serviços, mentindo que seremos patrões de nós mesmos. A verdade verdadeira é que os BANCOS e o ESTADO brasileiros financiam as grandes empresas nacionais e multinacionais, na indústria e agronegócio com “juros” de compadres e aos pequenos sobra sua força de trabalho e a sorte.

Lutamos e conquistamos, no início do século XX, no Brasil a jornada de 8 horas de trabalho. Hoje, trabalhamos mais horas, ganhamos menos e a propaganda nas redes sociais, rádios, televisão é que hoje temos mais liberdade de usar nosso tempo. Mas, como posso usar “meu” tempo se tenho de trabalhar 12 horas e não me sobra dinheiro? E se eu ficar doente? Índigena Galdino queimado vivo nas ruas de Brasília. Adolescentes classe média promovem estupro coletivo no Rio de Janeiro. Criança preta morta indo para aula em Belém. Mulher assassinada em Cuiabá pelo ex-marido.

Cachorro Orelha assassinado a pauladas numa praia da elite Catarinense. Chacina do Cabula executada por policiais militares.Pobreza, impunidade, ausência de educação, propaganda do ódio, superexploração do trabalhador e da trabalhadora?

Nossos sindicatos estão tomados por partidos políticos de direita, esquerda e fascistas. O fascista Bolsonaro e sua política negacionista hipócrita promoveu a morte de mais de 700 mil brasileiros e brasileiras. O Congresso Nacional e o governo Lula 3 mantém a militarização da sociedade crescente com ESCOLAS MILITARIZADAS, GUARDAS MUNICIPAIS MILITARIZADAS, MILITARIZAÇÃO DE TERRITÓRIOS INDÍGENAS E QUILOMBOLAS, AUMENTO DE GASTOS MILITARES, INVESTIMENTO EM INDÚSTRIAS ARMAMENTISTA MILITAR, REDUÇÃO DOS INVESTIMENTOS EM EDUCAÇÃO E SAÚDE. O sindicato é uma ferramenta. É nossa ferramenta que foi roubada.

A UAF é uma associação anarquista federalista de coletivos e indivíduos que trabalha para construir e firmar no Brasil alternativas de vida, de organização social e econômica justa e igualitária fora, paralela e para além do capitalismo, entendendo, vivendo e praticando a unidade de justiça e liberdade, a unidade de pessoa e natureza pelo bem viver. Oferecemos nossa mensagem à todas trabalhadoras e trabalhadores neste Primeiro de Maio de 2026 com o propósito de juntos defendermos nossos direitos e construirmos um vida melhor, mais digna, mais justa, com mais liberdade.

SAUDAÇÕES TRABALHADORA E TRABALHADOR Brasileiros!

União Anarquista Federalista – UAF

Filiada à Internacional de Federações Anarquistas – IFA

uafbr.noblogs.org

MANIFESTO DO PRIMEIRO DE MAIO DE 2026 – FACA

Trabalhadorx, exploradx, rebelde sem causa ou com causa: é hora de ocupar as ruas e parar a engrenagem!

A Federação Anarquista Capixaba (FACA) convoca TODXS os militantes da luta direta, os insubmissos, os cansados de pedir licença e os que sabem que a liberdade não se implora — se conquista com a ação direta e a solidariedade de classe.

Primeiro de Maio de 2026. Não será mais um dia de festa patrocinada pelos patrões e pelo Estado. Não será um feriado para descanso vigiado ou para churrasco alienado. Este Primeiro de Maio será o grito na garganta de quem produz tudo e não possui nada. Será o dia em que pararemos as fábricas, os transportes, os serviços, as universidades, as escolas e as cozinhas onde se cozinha a obediência.

A exploração não tira férias. Por que nós tiraríamos?

Enquanto o capital acumula lucros sobre nossas costas dobradas, enquanto a fome e o despejo viram rotina, enquanto a polícia mata e o judiciário absolve — nossa resposta será a desobediência organizada. Chega de migalhas. Chega de reformas que não reformam nada. Chega de esperar o “momento certo” que nunca chega.

Nossa arma é a organização de baixo para cima. Comissões de fábrica, núcleos de bairro, coletivos estudantis, grupos de apoio mútuo, ocupações de terras e moradias. Contra o sindicalismo de pelegos, contra o Estado que nos oprime, contra o patrão que nos suga até o osso — a greve geral! O boicote! A sabotagem pacífica à lógica do lucro! A autogestão!

Neste 1º de Maio, a FACA chama todxs a:

– PARAR o trabalho. Se puder, pare. Se não puder, atrase, atrapalhe, desconecte. Toda engrenagem emperrada é uma vitória.
– OCUPAR as ruas, as praças, as portas das empresas. Sem pedir autorização. Sem esperar o sinal verde de quem nunca nos deu liberdade.
– ORGANIZAR assembleias populares nos locais de luta. Decidir coletivamente os próximos passos: da paralisia à paralisação, da paralisação à ocupação, da ocupação à autogestão.
– EXIGIR nada de quem nada nos deu. Tomaremos o que é nosso: o tempo, o pão, a terra, o teto, a alegria.

Abaixo o sistema que transforma nossa força vital em mercadoria!
Abaixo o Estado, o exército, a polícia, os juízes — todos os guardiões da propriedade privada!
Viva a luta anarquista! Viva o Primeiro de Maio como dia de insurreição cotidiana!

Nenhum direito sem luta. Nenhuma luta sem risco. Nenhum futuro sem rebeldia.

Venha com sua bandeira negra e vermelha. Venha com sua máscara, com sua coragem e com seus punhos cerrados. Venha com fome de mudança radical.

1º de Maio de 2026 — em cada cidade do Espírito Santo, em cada esquina, em cada local de trabalho: a FACA estará. E você?

Organize-se agora. Faça contato com a Federação e se informe!

A insurreição é um hábito que precisamos recuperar.

Federação Anarquista Capixaba (FACA) – Nenhum deus, nenhum patrão, nenhum Estado, nenhuma fronteira.
Pela vida digna HOJE.

E-mail: fedca@riseup.net

Federação Anarquista Capixaba – FACA
Federada à União Anarquista Federalista – UAF

COMUNICADO – AGENDA DE ATENDIMENTOS JURÍDICOS E SINDICAIS

A Federação Anarquista Capixaba (FACA), filiada à União Anarquista Federalista (UAF), informa as seguintes datas para atendimentos voltados a orientações jurídicas e sindicais no território dominado pelo estado do Espírito Santo:

  • 09 de abril de 2026 – Guarapari/ES
  • 17 de abril de 2026 – Ibatiba/ES
  • 24 de abril de 2026 – Pedro Canário/ES

Pessoas interessadas em participar dos atendimentos devem realizar agendamento prévio por meio do endereço eletrônico: fedca@riseup.net

A FACA reitera seu compromisso com a prestação de apoio técnico e comunitário no âmbito trabalhista e legal, de forma autônoma e solidária.

Federação Anarquista Capixaba – FACA