
Dada a conjuntura atual, mais do que nunca, é necessário que abramos os olhos e rompamos o véu enganoso da “redemocratização” no território dominado pelo Estado Brasileiro! Eles nos vendem a farsa de que a ditadura militar acabou, mas nós, das ruas e das lutas sociais, sabemos a verdade sangrenta: o monstro apenas trocou de pele. Torturas, prisões, sequestros, assassinatos, delação, censura – os mesmos instrumentos de terror que assombraram o Brasil sob os gorilas fardados continuam a ser a política de Estado contra os pobres, os negros, os indígenas e os militantes. A pergunta que ecoa das favelas aos quilombos é: a ditadura realmente acabou ou apenas mudou de nome?
Eles trocaram os porões do DOI-CODI pelas operações de “Garantia da Lei e da Ordem” nas periferias. A tortura saiu dos quartéis e se instalou nas abordagens policiais, nas violações de autos de resistência, nas humilhações cotidianas do sistema prisional. O sequestro de corpos negros segue uma lógica industrial, seja no extermínio pela polícia, seja no encarceramento em massa que arranca milhares de suas comunidades. O método é o mesmo: o terror como ferramenta de controle social e a aniquilação daqueles que o sistema marca como indesejáveis.
O aparato de perseguição política foi modernizado e recebeu roupagem “legal”. As prisões preventivas, as delações premiadas coagidas e a criminalização dos movimentos sociais são as novas facetas do arbítrio. A Lei de Segurança Nacional, herança maldita da ditadura, é brandida contra quem ousa criticar os poderosos. Eles não precisam mais de AI-5 quando têm um Judiciário conivente e uma mídia mercenária que legitima a perseguição, construindo narrativas que transformam militantes em “terroristas” e protestos em “atos de guerra”.
A censura não morreu; tornou-se digital, algorítmica e estrutural. Ela se disfarça de “política de comunidade” nas redes sociais, de “combate à desinformação” que silencia vozes dissidentes, e da monopolização midiática que mantém o povo intoxicado pela ignorância. A violência do Estado agora é transmitida ao vivo, mas a mesma máquina que a exibe tenta justificá-la como “necessária”. O genocídio negro, o etnocídio indígena e a repressão aos pobres são a prova viva de que o Estado brasileiro mantém sua essência autoritária.
E a farsa eleitoral? Trocar os generais por políticos profissionais não altera a natureza do Estado. Enquanto o poder permanecer nas mãos das elites econômicas, das corporações militares e de um Judiciário de exceção, a democracia seguirá sendo uma piada de mau gosto. O mesmo sistema que financiou a ditadura segue no poder, renovando sua maquiagem a cada pleito para preservar seus privilégios. A “Nova República” não passou de um pacto de elites para manter o povo sob jugo, agora com métodos mais “sofisticados” de repressão.
Portanto, a resposta é clara: a ditadura nunca acabou, apenas se recombinou. Ela agora é civil, militar, jurídica e midiática. Mas nossa resistência também se reinventa. Não depositaremos fé em salvadores da pátria ou nas instituições podres desse Estado genocida. Nossa luta é pelo fim da polícia, dos exércitos, pelo fim do sistema prisional, pelo fim da justiça de classe e por uma verdadeira desagregação desse Estado assassino (e de seu irmão, o Capital). A memória dos torturados e assassinados nos grita: não passarão! Pela liberdade de todos e pelo fim de TODAS as ditaduras, ação direta e luta nas ruas!
Pela anarquia.
Liberto Herrera.
English Translation:
From the DOI-CODI to the Favela: The Genocidal State and Its New Mask
Given the current situation, more than ever, it is necessary that we open our eyes and tear away the deceptive veil of “re-democratization” in the territory dominated by the Brazilian State! They sell us the farce that the military dictatorship ended, but we, from the streets and from social struggles, know the bloody truth: the monster merely changed its skin. Torture, arrests, kidnappings, assassinations, informing, censorship – the same instruments of terror that haunted Brazil under the uniformed gorillas continue to be state policy against the poor, the Black, the Indigenous, and the militants. The question that echoes from the favelas to the quilombos is: did the dictatorship really end, or did it just change its name?
They exchanged the basements of the DOI-CODI for the “Guarantee of Law and Order” operations in the peripheries. Torture left the barracks and installed itself in police stops, in the violations of autos de resistência (resistance records), in the daily humiliations of the prison system. The kidnapping of Black bodies follows an industrial logic, whether in police extermination or in mass incarceration that tears thousands from their communities. The method is the same: terror as a tool of social control and the annihilation of those whom the system marks as undesirable.
The apparatus of political persecution has been modernized and given a “legal” guise. Preventive arrests, coerced plea bargains, and the criminalization of social movements are the new facets of arbitrariness. The National Security Law, a cursed legacy of the dictatorship, is wielded against those who dare to criticize the powerful. They no longer need an AI-5 when they have a complicit Judiciary and a mercenary media that legitimizes the persecution, constructing narratives that turn militants into “terrorists” and protests into “acts of war.”
Censorship did not die; it became digital, algorithmic, and structural. It disguises itself as “community policy” on social networks, as “fighting disinformation” that silences dissenting voices, and as media monopolization that keeps the people intoxicated by ignorance. The violence of the State is now broadcast live, but the same machine that displays it tries to justify it as “necessary.” The Black genocide, the Indigenous ethnocide, and the repression of the poor are living proof that the Brazilian state maintains its authoritarian essence.
And the electoral farce? Swapping generals for professional politicians does not change the nature of the State. As long as power remains in the hands of economic elites, military corporations, and an exceptionalist Judiciary, democracy will remain a bad joke. The same system that financed the dictatorship remains in power, renewing its makeup with each election to preserve its privileges. The “New Republic” was nothing but a pact among elites to keep the people under yoke, now with more “sophisticated” methods of repression.
Therefore, the answer is clear: the dictatorship never ended; it merely recombined. It is now civil, military, judicial, and media-based. But our resistance also reinvents itself. We will not place our faith in saviors of the motherland or in the rotten institutions of this genocidal state. Our struggle is for the end of the police, the armies, the end of the prison system, the end of class-based justice, and for the true disintegration of this murderous State (and its brother, Capital). The memory of the tortured and the murdered shouts to us: they shall not pass! For the freedom of all and for the end of ALL dictatorships, direct action and struggle in the streets!
For anarchy.
Liberto Herrera.
Traducción al Español:
Del DOI-CODI a la Favela: El Estado Genocida y Su Nueva Máscara
Dada la coyuntura actual, más que nunca, es necesario que abramos los ojos y rompamos el velo engañoso de la “redemocratización” en el territorio dominado por el Estado Brasileño. Nos venden la farsa de que la dictadura militar terminó, pero nosotros, desde las calles y las luchas sociales, conocemos la sangrienta verdad: el monstruo sólo cambió de piel. Torturas, arrestos, secuestros, asesinatos, delación, censura – los mismos instrumentos de terror que asolaron Brasil bajo los gorilas uniformados continúan siendo la política de Estado contra los pobres, los negros, los indígenas y los militantes. La pregunta que resuena desde las favelas hasta los quilombos es: ¿realmente acabó la dictadura o simplemente cambió de nombre?
Cambiaron los sótanos del DOI-CODI por las operaciones de “Garantía de la Ley y el Orden” en las periferias. La tortura salió de los cuarteles y se instaló en las detenciones policiales, en las violaciones de los autos de resistencia, en las humillaciones cotidianas del sistema carcelario. El secuestro de cuerpos negros sigue una lógica industrial, ya sea en el exterminio policial, ya sea en el encarcelamiento masivo que arranca a miles de sus comunidades. El método es el mismo: el terror como herramienta de control social y la aniquilación de aquellos que el sistema marca como indeseables.
El aparato de persecución política se ha modernizado y ha recibido un ropaje “legal”. Las detenciones preventivas, las delaciones premiadas coaccionadas y la criminalización de los movimientos sociales son las nuevas facetas del arbitrio. La Ley de Seguridad Nacional, herencia maldita de la dictadura, es blandida contra quien se atreve a criticar a los poderosos. Ya no necesitan un AI-5 cuando tienen un Poder Judicial cómplice y unos medios mercenarios que legitiman la persecución, construyendo narrativas que convierten a militantes en “terroristas” y a protestas en “actos de guerra”.
La censura no murió; se volvió digital, algorítmica y estructural. Se disfraza de “política de comunidad” en las redes sociales, de “combate a la desinformación” que silencia voces disidentes, y del monopolio mediático que mantiene al pueblo intoxicado por la ignorancia. La violencia del Estado ahora se transmite en vivo, pero la misma máquina que la exhibe intenta justificarla como “necesaria”. El genocidio negro, el etnocidio indígena y la represión a los pobres son la prueba viva de que el Estado brasileño mantiene su esencia autoritaria.
¿Y la farsa electoral? Cambiar a los generales por políticos profesionales no altera la naturaleza del Estado. Mientras el poder permanezca en manos de las élites económicas, de las corporaciones militares y de un Poder Judicial de excepción, la democracia seguirá siendo una broma de mal gusto. El mismo sistema que financió la dictadura sigue en el poder, renovando su maquillaje en cada elección para preservar sus privilegios. La “Nueva República” no fue más que un pacto de élites para mantener al pueblo bajo yugo, ahora con métodos más “sofisticados” de represión.
Por lo tanto, la respuesta es clara: la dictadura nunca terminó, sólo se recombinó. Ahora es civil, militar, judicial y mediática. Pero nuestra resistencia también se reinventa. No depositaremos fe en salvadores de la patria ni en las instituciones podridas de este Estado genocida. Nuestra lucha es por el fin de la policía, de los ejércitos, por el fin del sistema carcelario, por el fin de la justicia de clase y por la verdadera desagregación de este Estado asesino (y de su hermano, el Capital). La memoria de los torturados y asesinados nos grita: ¡no pasarán! Por la libertad de todos y por el fin de TODAS las dictaduras, ¡acción directa y lucha en las calles!
Por la anarquía.
Liberto Herrera.