ATENDIMENTOS JURÍDICOS DA FACA – 02/07/2026

A Federação Anarquista Capixaba divulga sua agenda de atendimentos jurídicos e sindicais do início do mês de julho de 2026.

Todos os atendimentos serão realizados mediante agendamento no e-mail fedca@riseup.net.

02/07/2026: Iconha/ES.

Reforçamos: os atendimentos se darão mediante prévio agendamento no e-mail fedca@riseup.net.

Pela transformação social!

Pelo socialismo libertário!

Federação Anarquista Capixaba – FACA

Federada à União Anarquista Federalista – UAF

O recrudescimento da barbárie

Reproduzimos e difundimos o texto da camarada A. :

Enquanto o mundo assiste, estarrecido, aos recordes anuais de gastos militares – ultrapassando os 2,24 trilhões de dólares em 2022, segundo o SIPRI, com alta real de 3,7% –, o que vemos é a face mais crua do capital em sua fase terminal. Longe de qualquer necessidade de defesa legítima, essa escalada belicista, acelerada pela guerra na Ucrânia e pelas tensões no Oriente Médio, serve apenas para escorar um sistema em frangalhos. A militarização não é resposta a ameaças externas: é a válvula de escape para crises de superacumulação. Tanques, drones e mísseis são a forma mais violenta de escoar o excesso de capital que não consegue mais se reproduzir na esfera produtiva, desviando a fúria da classe trabalhadora para inimigos imaginários – enquanto o verdadeiro inimigo, o Estado corporativo, segue armado até os dentes.

Por trás de cada contrato bilionário de blindados ou sistemas antiaéreos, há uma teia de sangue e lucro: as gigantes da indústria bélica – Lockheed Martin, Raytheon, BAE Systems – tiveram seus lucros aumentados em mais de 25% no último ano, ao mesmo tempo que cortaram impostos e receberam subsídios estatais. O Estado, longe de ser um árbitro neutro, atua como o maior gestor de negócios da morte, garantindo que a “segurança nacional” seja um eufemismo para o assalto ao orçamento público. Enquanto hospitais fecham, moradias populares são sucateadas e a fome avança, o Banco Central Europeu e o Pentágono encontram verba para porta-aviões e ogivas. Não é defesa: é a lógica do capital vampirizando cada centavo do trabalho social para perpetuar sua dominação através do terror institucionalizado.

Mas a militarização mundial não corrói apenas nossos bolsos – ela estupra a própria possibilidade de vida comunitária. Cada soldado treinado para matar é um companheiro arrancado de suas redes de afeto; cada base militar instalada é um território roubado da agricultura camponesa ou dos biomas, como vemos na expansão da OTAN sobre reservas naturais na Romênia e na Polônia. Os dados são estarrecedores: o setor militar é responsável por cerca de 5,5% das emissões globais de gases de efeito estufa, mais que a aviação civil e o transporte marítimo somados. Exércitos não defendem o planeta: eles o preparam para a aniquilação. A chamada “paz armada” é a maior mentira do século XXI, pois sob o manto da dissuasão, o que se pratica é a normalização da violência como política – e a violência, como bem sabemos, sempre cai primeiro sobre os ombros dos mais pobres, negros, indígenas e periféricos.

Diante disso, a resposta anarquista não pode ser a reforma tímida ou o apelo à “desmilitarização negociada” dentro das câmaras do poder. A alternativa é a desobediência radical: recusa ao serviço militar, sabotagem às cadeias logísticas da morte, ocupação de fábricas de armamentos e construção de redes horizontais de autodefesa popular. Não queremos mais orçamentos participativos para polícias – queremos a extinção de toda hierarquia armada que se arvora em nos proteger. Que venham as assembleias de bairro, os mutirões de cuidado mútuo, as milícias populares desarmadas e organizadas por afinidade. Enquanto o capital e o Estado dançarem a valsa dos mísseis, nós cavaremos trincheiras na solidariedade – porque a única guerra justa é a que destruir, de uma vez por todas, a lógica de que a vida se mede pela capacidade de matar.

A., uma anarquista filiada à FACA.

Outro mundo é possível, em Venda Nova do Imigrante -ES

No dia 04 de junho de 2026, a Federação Anarquista Capixaba realizou uma roda de conversa na Praça Aldo Mineti, em Venda Nova do Imigrante/ES, com o tema “Outro mundo é possível”. A atividade reuniu jovens trabalhadorxs da cidade em um espaço aberto de diálogo, reflexão e troca de experiências sobre os desafios enfrentados no cotidiano e as possibilidades de transformação social.

Durante o encontro, uma companheira da Federação conduziu o debate, apresentando reflexões sobre as limitações impostas pelo capitalismo e pelo Estado na organização da vida em sociedade. A conversa buscou estimular uma análise crítica das estruturas que moldam as relações de trabalho, o acesso aos recursos e a participação popular nas decisões que afetam a coletividade.

Além da discussão teórica, a atividade contou com exercícios de imaginação coletiva, incentivando os presentes a pensarem em formas alternativas de organização social baseadas na solidariedade, no apoio mútuo, na autogestão e na cooperação. As contribuições dos participantes enriqueceram o debate, trazendo exemplos concretos de resistência, organização comunitária e construção de relações mais horizontais.

A roda de conversa reforçou a importância da construção de espaços de formação e encontro entre trabalhadorxs, fortalecendo vínculos e compartilhando perspectivas de transformação social. A atividade demonstrou o interesse dos participantes em refletir sobre alternativas ao modelo vigente e reafirmou o compromisso da FACA com a construção coletiva de caminhos para uma sociedade mais livre, justa e igualitária.

Federação Anarquista Capixaba – FACA
Filiada à União Anarquista Federalista – UAF

A crise é permanente, a única saída é horizontal

A crise do capital não é um acidente de percurso, uma fase passageira ou um soluço cíclico que se resolverá com ajustes bem-intencionados. Ela é a sua essência, o seu modo permanente de ser. O capitalismo vive da exploração ininterrupta dos corpos, dos territórios e dos afetos; sua “estabilidade” é apenas o silêncio tenso entre uma catástrofe social e outra. Cada dia de funcionamento normal desse sistema é um dia de crise para a maioria explorada — crise de moradia, de alimento, de saúde mental, de sentido. Reconhecer esse caráter crônico da devastação é o primeiro passo para abandonarmos a ilusão de remendos e assumirmos que a única resposta à altura é uma organização radicalmente nova, que não se deixe domesticar.

As fórmulas que nos ofereceram ao longo de mais de um século já deram todas as provas de seu fracasso. O partido de vanguarda, que prometia tomar o Estado e emancipar a classe, tornou-se sinônimo de burocracia autoritária, fuzilamento de dissidentes e capitalismo de Estado. O sindicalismo institucionalizado, com suas cúpulas negociadoras e fundos de pensão, aprendeu a gerir a miséria enquanto sufocava a revolta espontânea do chão de fábrica. A social-democracia, com seu paraíso de direitos temporários financiados pela espoliação do Sul Global, revelou-se uma trégua frágil, desmontada sem cerimônia assim que a acumulação exigiu. Todas essas receitas partem de um mesmo veneno: a concentração de poder, a delegação da luta a especialistas, a crença de que uns poucos podem decidir por todas. Já testamos a hierarquia sob todos os disfarces — e ela nos devolveu, invariavelmente, novas correntes.

A organização dxs exploradxs, para enfrentar uma guerra que não cessa, precisa ser tão viva e capilar quanto o próprio ataque. Precisa ser horizontal, onde cada voz tenha peso real e as decisões brotem das assembleias de base, e não dos gabinetes iluminados. Solidária, porque a competição que o capital nos injeta é a maior aliada da dominação; precisamos de apoio mútuo que faça da sobrevivência um ato coletivo de afeto e resistência. Autogestionária, para que a luta seja, desde já, a semente do mundo que queremos: sem patrões, sem gerentes da revolução, sem quem mande e quem obedeça. Essa não é uma utopia ingênua, mas a prática concreta de quem, nas ocupações de terra e de teto, nas cozinhas comunitárias, nos piquetes autônomos e nas redes de cuidado, já demonstra que outra arquitetura social é possível, aqui e agora, sob as ruínas do presente.

As demais promessas estão sepultadas. O socialismo de Estado ruiu no século XX, deixando um legado de gulags e desencanto. O reformismo eleitoral tornou-se gestor da crise, aplaudindo o desmatamento enquanto distribui migalhas. Resta-nos o anarquismo, não como um dogma do passado, mas como a única bússola que insiste em não trocar a liberdade pela eficiência do matadouro. Resta-nos a teia de cumplicidades que não se deixa capturar por CNPJ, ministério ou comitê central. Resta-nos a coragem de assumir que somos nós, xs precarizadxs, xs sem-terra, xs periféricxs, xs indesejadxs, quem podemos — e devemos — dirigir nossos próprios passos, sem pedir licença a qualquer instância que se coloque acima de nós. Tudo o que não é horizontal termina verticalmente sobre nossos corpos.

Por isso, o convite não é para aderir a uma legenda ou aplaudir um líder — é para arriscar. Experimentar a autogestão na sua ocupação, no seu bairro, no seu local de trabalho. Transformar a raiva em ação direta, sem esperar que um comitê aprove. Tecer alianças livres e federadas, que não procurem tomar o poder, mas dissolvê-lo em milhares de vínculos comunais. O capital não espera, a crise não dá trégua, e nós também não podemos esperar. Venha conosco construir um mundo novo no ventre do monstro: um mundo onde caibam todos os mundos, sem hierarquias, sem cercas, sem medo. Arrisque, experimente e venha conosco!

Federação Anarquista Capixaba – FACA